terça-feira, 29 de novembro de 2016

2016

Antes, quero prestar solidariedade aos familiares, amigos e todos que torcem pela Chapecoense e todos envolvidos nesta tragédia. O mais profundo sentimento. Que haja consolo e amor neste momento de dor.

Agora, venho alertar que hoje o barato vai ser longo, talvez enfadonho, talvez chato, talvez repetitivo e cheio de palavras desnecessárias.

Hoje quero repetir, assim repetir insanamente as palavras. Então se não quer ler, volte para onde estava e gaste seu tempo como queira, não desperdice aqui, pois o tempo urge e é precioso.


De sexta para cá ressoa dentre tantas, apenas algumas perturbações nesta mente aqui. Sim insana, sabe quando você começa a pensar em tudo e quer falar sobre tudo no mesmo instante.

A primeira perturbação é que em maio de 2016 foi golpe e as notícias dos últimos meses só reforçam e comprovam o que era certeza, tratava-se mesmo de golpe jurídico, midiático e parlamentar e não adianta reclamar viu enquanto viver será repetido como mantra, oração, verso ou vômito onde quer que escreva.

A segunda perturbação, o Trump ou quer dizer o boneco mor venceu e agora Marias, Josés, Jesus, Chicas, Josefinas etc?

A terceira perturbação seu Fidel se foi, assim como grandes referências tem ido descansar e revelam-se enormes perdas para aqueles que almejam de todo ser outra sociedade ou forma de viver.

 E a quarta e última perturbação mais latente, ainda quero falar sobre o “Próxima B” e filme. Daí se pergunta nossa, mas que tanto tem pra falar disso. Nada demais é que queria mesmo falar sobre. Juro, coisa de desocupado sabe.

Então como tudo nesta vida, será por critério e conforme as necessidades e urgências seguem as eliminações, a última perturbação será tratada em janeiro e no mínimo você deve saber o que é “Próxima B” e sugiro que assista ao filme “Prometheus (2012)” para viajar anos luz para o universo das possibilidades.

Da penúltima perturbação e já considerando que o comandante Fidel independente da vontade alheia (seja à direita, meio ou esquerda) jamais poderá ignorá-lo e sem titubear está dos anais da ilha para a história mundial, menciono o meu respeito de colocá-lo como assunto para o próximo ano.

Faço questão de lembrá-lo para além do mês em que se concretizou seu descanso, para me permitir conhecer um pouco mais da história o que para o ano que vem deve bastar. Pelo menos para saber o mínimo e não ser tão leviana e superficial.

Daí os pessimistas ou filhos dos putos que fogem e não assumem os filhos dirão:
- nossa mais já está pensando no ano que vem? Não está vendo como foi 2016 é capaz da gente nem estar vivo.

E oxalá Deus! Repreenda esses pensamentos ai meus santos. Tira esses prótons e elétrons negativos da vida desses seres humanos. Pensemos como as empresas chinesas e japonesas com anarquia e comunismo misturado que fazem o hoje pensando daqui 100/200 anos. Amém.

Assim restaram as duas outras perturbações sendo que falar de uma é mencionar a outra.

Comentar a vitória de Trump é tratar do golpe e dos assuntos no Brasil. Nenhuma situação econômica está descolada da realidade mundial, porque como sabemos não vivemos e até os dias de hoje nenhum país vivenciou a experiência socialista, logo estamos no mundo globalizado, capitalista e desgraçado que partilha apenas as dores e dissabores econômicos, pois a concentração da riqueza está somente com 67 pessoas ou 1% da humanidade.

O Trump ter vencido as eleições é retrocesso sim, mas não é novo no contexto político, como já dizia o tiozão Marx:

 As gerações tendem a conjurar a ajuda dos espíritos malignos e encapetados do passado e “tomam emprestados os seus nomes, as suas palavras de ordem, o seu figurino, a fim de representar, com essa vulnerável roupagem tradicional e essa linguagem tomada de empréstimo, os rumos da nova história mundial”.

Entender esta nova ordem de empresários que se candidata a prefeitos, governadores, presidentes e para outras posições no Estado Moderno é essencial para nos posicionar frente à avalanche de retrocessos que virão no campo dos direitos sociais, mais especialmente no trabalho.

Aqui temos uma característica muito particular que embora tenha procurado quase ninguém pontuou ou se atentou ou esqueceu mesmo ou sei lá não acha que importa pelo menos nos artigos/matérias lidas, o que já confesso não foram muitos.

No livro “Estado e Forma Política” da editora Boitempo de 2013 encontram-se frestas de luzes para senão animar nos fazer enxergar um pouco melhor, principalmente já no início do livro, assim no primeiro capítulo:

“O Estado, tal qual se apresenta na atualidade, não foi uma forma de organização política vista em sociedades anteriores da história. Sua manifestação é especificamente moderna, capitalista. Em modos de produção anteriores ao capitalismo, não há uma separação estrutural entre aqueles que dominam economicamente e aqueles que dominam politicamente: de modo geral, são as mesmas classes, grupos e indivíduos – os senhores de escravos ou os senhores feudais – que controlam tanto os setores econômicos quantos os políticos de suas sociedades.”

Entenda que Alysson Mascaro meteu o pé na porta e na cara da gente com um páááááá! Acordem porra! 

Mentira que ele nem tem jeito de quem fala estas palavras torpes. Quem já o viu sabe da voz calma, do jeito discreto e que entre Marx e Estado faz menção até ao amor, abraço e fraternidade tudo pra meter o socialismo na sua cabeça.

Rindo como hiena. 
Sim, sou besta e nem eu me aguento.

Agora risada de bruxa, pois o assunto é um tédio, porre e estou desdobrando o quanto dá para que seja mais agradável.

Lero lero a parte agora vem Alysson com a cereja no bolo, espia com cuidado:

“Se alguém chamar por Estado o domínio antigo, estará tratando do mando político direto das classes econômicas exploradoras. No capitalismo, no entanto, abre-se a separação entre o domínio econômico e o domínio político. O burguês não é necessariamente o agente estatal. As figuras aparecem, a princípio, como distintas. Na condensação do domínio político em uma figura distinta da do burguês, no capitalismo, identifica-se especificamente os contornos do fenômeno estatal. (pg.17)”

Nesta nova composição, mais exatamente em 2016 com golpes institucionais por toda América Latina, sendo que os invasores destas posições seja na Argentina, Brasil e outros em curso como Venezuela se assemelham muitíssimo com a política atual, de empresário, liberal exalando por todos os poros, de capitalismo selvagem no modo de agir e pensar inteiramente alinhado a figura de Trump.

Agora o burguês é sim um agente estatal, que nega veementemente a política e se assume empresário. Empresário que saiu das sombras, do espectro na relação de forças no Estado quando ditavam as regras através de outros agentes públicos que o Estado tem que ser mínimo que não deve ser grande (ter muitos direitos sociais) porque se sobrepõe em impostos, em receitas e dívidas e orçamentos, ou seja, leva a falência o setor público.

Agora, com eleição de Trump, os empresários não são mais mediadores ocultos no Estado.

Notaram que financiar políticos não estava resolvendo as questões centrais e importantes do empresariado, da acumulação capitalista e manutenção da esfera única de poder.

Neste livro que agora leio e não passo os olhos como tempos atrás é mais evidente, principalmente quando Alysson joga focos flamejantes de luzes:

 “A separação entre o político e o econômico permite a valorização do valor, forjando suas formas, mas isso se dá num processo que contém, intrinsecamente, a contradição, justamente por conta da própria separação e do apoderamento dividido.”

Termos empresários no Estado como agente estatal seja quatro anos ou em oito anos nos mostra a necessidade do sistema capitalista em juntar o político (mesmo o negando) do econômico.

Sabe-se perfeitamente que o empresariado se coloca ou a mídia em especial televisiva coloca-os como responsáveis pelo emprego, logo pela roda que faz girar a economia; mas até o momento como apolítico, mesmo que tenha mediadores a seu serviço. O fato de Trump ter esta ascensão política significa e mostra contradições que não são novas, mas devem ser percebidas na relação de forças entre classes sociais.

Resumindo, só existe uma defesa quando tem ataque que abale a estrutura com maiores reivindicações por qualidade de vida e, portanto mais direitos sociais e ainda o desejo latente de um estado, de fato, de bem estar social. 

Também só existe mudança (mesmo que velha) nas peças do jogo quando a crise é extremamente profunda e disso jamais saberemos as proporções e profundidade tendo em vista que os establishment se reúnem de forma isolada e seletiva.

Mais do que isso, as contradições estão mais que postas e contemplo com bons olhos, embora saiba que o que está por vir não é um mar de rosas.

Poderíamos nos ater a evidenciar mais estas contradições do capital, a mais recente em 2015 com o tão falado, mas nem tanto divulgado acordo TTP – Tratado Transpacífico que nada mais é do que o maior acordo comercial de todos os tempos, com os países mais desenvolvidos economicamente.

O megabloco econômico formado por 5 países americanos: EUA, Canadá, México, Peru e Chile; 5 asiáticos: Japão, Malásia, Vietnã, Cingapura e Brunei e outros dois países da Oceania: Austrália e  Nova Zelândia criado com a desculpa de diminuir tributos, impostos, mas que na realidade trata-se da segregação econômica.

Este acordo nada mais é do que o método econômico mais excludente e seletivo e acumulativo de riquezas e capital num sistema capitalista que defende o livre comércio, a globalização e livre circulação de mercadorias entre todos os países.   

O resto. Bom os demais países como Brasil servirão assim:

“A junção do aparato político com o imediato interesse econômico dominante representaria uma volta a modos de produção do tipo escravagista ou feudal. (pg46)

Só lendo o Alysson para perceber que as relações sociais ou luta de classes que serão acirradíssimas, caso haja junção da forma política e econômica e é o que parece que está ocorrendo tendem a diminuir os direitos sociais, humanos, mas com objetivo na relação de trabalho e formas contratuais.  

Sendo mais específica, o trabalho ou forma de contrato tende a ser modificado, as formas de direitos trabalhistas deixarão de existir e serão subumanas.

Ou noutras palavras, sejam bem vindos profissionais liberais ou adeus funcionalismo público ou direitos trabalhistas. Notamos que a mídia já divulga a dificuldade do empresariado em manter os direitos trabalhistas em vários países. 

Seja com golpe ou eleições dos Trumps com apoio das redes na disseminação de informações falsas sendo admitidas por jovens com talento que querem ganhar dinheiro, vemos que o alvo é o mundo do trabalho.

Sabendo que empresários jamais pagaram impostos como deveriam e não digo empresários micros e pequenos, mas o grande, aqueles que dificilmente a Receita Federal (em especial do Brasil) nunca encontra ou que a justiça jamais prende.

Desesperos a parte, Alysson considera algo que julgo de suma importância com direito a POW POW POW no destaque no meu livro, olha só isso:

“O Estado não se altera apenas por conta das decisões de seu próprio poder ou de suas funções internas, mas principalmente, por conta das injunções de demandas estruturais externas a si. No seio da relativa autonomia do Estado perante a dinâmica da sociedade capitalista, revela-se tanto a sua capacidade de reprocessar as contradições sociais, buscando manter seus horizontes econômicos de fundo, quanto a própria permeabilidade do aparato estatal às contradições. Por não ser um aparelho imediato de uma classe, o Estado não pode ter meios de garantia de que padrões específicos da reprodução social capitalista venham a se prolongar infinitamente. (pg48)”

Agora vem o êxtase, aquela sensação de que nada é para sempre  e que mesmo sendo o agente estatal um empresário terá que lidar com a dinâmica das relações sociais e, portanto acirramento da luta de classe por manutenção de direitos e aprofundamento da democracia!!!

“As crise do capitalismo podem ser retrabalhadas, reformuladas e minoradas por meio do Estado, mas podem também ser majoradas e, eventualmente, levar ao colapso do próprio modo de produção capitalista. (pg.48)”

A partir desta analise do Alysson  surgem enes hipóteses de que escolher se colocar como agente estatal sendo empresário pode reverter à lógica a ponto de sucumbir a acumulação e sociedade de classes.

Também observar alguns esquemas de censuras já empreendidos pelos recursos humanos de empresas que se diga contrata força de trabalho e vende ou comercializa algum produto e deve respeitar acordos democráticos ou seguir a tão mencionada responsabilidade social seja o dono quem for.

Empresas sem ética e responsabilidade se prestam ao desserviço de censurar de forma velada aqueles se manifestam por meio de rede social sendo contrários a retrocessos ou a favor de pautas progressistas.

 Ainda vou cansar de falar deste assunto e faço uso deste suposto poder munida do conhecimento de direitos e, portanto me vendo apta para defender a outros. Afinal os acordos para vender a força de trabalho foram criados na republica e quem a  criou ou defende ou finge respeitar deve se atentar a regras do jogo.

Então cabe pedir desde já, mais respeito com aqueles que buscam por uma vaga de trabalho, independente da posição política.

Parece insano supor,  que a lógica capitalista encontra-se atualmente permeada por sérias contradições, tal como a notícia divulgada  recentemente por jornal de maior circulação ao mencionar que a crise diminuiu a desigualdade social porque todos se tornam mais pobres. (???)


Aqui além de risadas estrondosas no dia anterior, hoje cabe dizer um afffffeeeeeeee  beeeem grande e alertá-los que esta lógica não condiz com os capitalistas que classificam as classes sociais como pobres, médias e ricas. Pior ainda, não justifica aquela ideia de “trabalhe para ter sucesso” ou justifica ou faz jus a quem o próprio sistema elencou como classe média.


A cada pressão em diminuir o Estado de Direito e alterar as relações contratuais de trabalho que se encontram no mínimo é impor o escravismo feudal ou o enfrentamento desta contradição, pois tendo o trabalhador adquirido direitos para aceitar os retrocessos somente com o punho militarizado.

Entre estratégias nas contradições e esperanças para quem almeja outra sociedade versus golpes e vitórias eleitorais do ultraconservadorismo estão postas as possibilidades. Resta identificá-las. 


2017 ou já?


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