domingo, 4 de fevereiro de 2018

Diário dos ventos #1

Sabe, estamos sempre por um triz... 

Quando andamos pelas trilhas do mundo real notamos que a estabilidade é uma mentira contada pelos nossos pais, por isso tenho aprendido a me equilibrar, cair e levantar. Esse jeito de encarar a vida também abriu um caminho rumo à própria liberdade.

Então, por hoje esqueci aqueles planos de ser feliz pra vida inteira, o que a vida oferece é o agora, real, intenso e finito. É foda, não está fácil, às vezes eu acordo como se tivesse levado uma surra e pergunto aos ventos: E agora, o que mais? Torço para me levantar e não ser surpreendido com uma arma na cabeça como naquele inverno do ano passado, ou aquele súbito desmaio no penhasco em que um desconhecido me salvou de rolar morro abaixo rumo ao mar. 
As coisas saem do nosso controle, não sei como podemos lidar com tudo isso, sei que o único remédio pra encarar a vida e a morte ainda é viver. Pequenos prazeres me fazem perceber que ainda há muita coisa boa pra pensar do que só na dor, na derrota, nos obstáculos, no amor... É, foda-se o amor! Pessoas que um dia disseram me amar passam do meu lado e fingem nem me conhecer. Antes isso me magoava, agora sei que realmente não nos conhecemos mais. Hoje ao invés de dizer te amo, eu amo mais, pronto!
Choices 

É estranho mas aquele medo de falhar, de não ter dito e feito as coisas certas foi sumindo aos poucos quando percebi que a vida era um amontoado de erros e alguns acertos, a vitória é só uma exceção. Vivemos em um mundo que para um vencer outros cem tem de perder, é uma merda. Apesar de tudo, continuo me aventurando pelas trilhas do universo, incertas, difíceis, e misteriosas. Não sei tudo que ainda vou passar, sei que tudo vai passar.