sexta-feira, 20 de julho de 2018

Fobia

Acho engraçado pessoas que tem medos irracionais. Medo, não, pânico. Claro que as fobias fogem do controle e são um transtorno para quem não consegue se controlar diante de uma barata.

Sempre trato as fobias alheias com muito respeito. Não que eu tenha fobia de provocar um enfarto em alguém, mas é bom evitar as vergonhas alheias. Claro que quando estão todos a salvo daquele camundongo assustado, é inevitável evocar a fobia da Dona Florinda, do Chaves, no episódio dos ratos no restaurante.

Também já conheci pessoas com fobia de aranhas, sapos, lagartixas e, talvez o que tenha me causado mais curiosidade, de borboletas. O bom é que era fácil bancar o herói. Nem imaginam minha astúcia na hora de encarar o perigo e botar a borboleta pra correr, digo, pra voar, pra bem longe, com suas lindas asas em um voo descoordenado.

Claro que o medo é fundamental para proteger os seres vivos. Por instinto acabamos fugindo do perigo. O que me intriga é quando o medo irracional acaba por nos colocar em risco. Há quem, para fugir de uma barata na calçada, se jogue na rua venha o carro que vier.

Minha racionalidade me impede de entender essas coisas. Eu, sempre tão pé no chão, tão lúcido e tão reflexivo, não consigo ter medo dessas bobagens.

Na verdade a única coisa capaz de me deixar com medo é uma página em branco, que pede por palavras. Mas isso é óbvio, não acredito que exista alguém que não entre em pânico diante do tracinho vertical do cursor piscando, tal qual um alarme que indica que a bomba está prestes a explodir.

E não me venham com soluções simplistas. A boa e velha folha de papel não resolve o problema. As linhas prestes a saltar do papel e arrancar da alma as palavras que se escondem, os cantos da folha preparados para dobrarem e dar um bote fatal.

Apesar de achar engraçado pessoas com medos irracionais, acabo com um pouco de inveja. Preferia ter um pânico imaginário e na realidade inofensivo, do que esse pavor tão real de algo indubitavelmente perigoso.