sábado, 18 de julho de 2009

O ópio do povo (e meu também)

Desde bem pequeno eu sempre gostei muito de bola. E ainda hoje é assim, tanto que quando eu estou sonhando acordado com alguma coisa ele sempre é a minha analogia.
Se gostei de uma menina logo estou imaginando ela na arquibancada e eu fazendo gol e apontando pra ela. Presencio uma injustiça e já me vejo ganhando uma copa e usando a visibilidade daquele momento pra meter o couro e derrubar os ''grandes chefes'' feito aquela música bonita do Beirut. E é assim com tudo, cada pequena alegria vivida é uma pedalada na minha cabeça, ir bem numa prova é acertar uma cobrança de falta, presentear alguém e sentir que esse alguém gostou de verdade do que lhe foi dado é um passe pra gol. Quando tá tudo uma bosta eu me imagino na torcida passando mal porque meu time foi campeão. A bola não gosta muito de mim não, já eu não vivo sem ela.

- Como a senhora explicaria a um menino o que é felicidade ?
- Não explicaria, respondeu.
- Daria uma bola para que jogasse.

(Pergunta feita por um jornalista à teóloga alemã Dorothee Solle)