quarta-feira, 15 de julho de 2009

fotografias de viagem

queridos conhecidos e desconhecidos,

estou em viagem. não que isso seja novidade, afinal, estamos sempre viajando (lembrei de alice ruiz escrevendo "que viagem ficar aqui parada"), mas o fato é que fica mais complicado usar o computador quando o movimento é constante. minha viagem é (também) de trabalho: vim apresentar trabalhos em duas conferências aqui no velho mundo. coisas de mestrando que quer virar professor...

mas eu quero falar mesmo é do hábito de tirar fotos durante viagens. sempre gostei de tirar fotos (esperar o filme ser revelado também era uma alegria sem tamanho, mesmo que a espera pudesse ser seguida de algumas decepções). acontece que sempre ouvi reclamações de amigos e parentes que olhavam as fotos que eu tirava: "mas você não aparece em quase nenhuma foto!", ou então "só paisagens?" Isso quando a pessoa não achava tudo muito estranho e desistia de ver o resto das fotos.

com o tempo, perdi um pouco do hábito de tirar fotos enquanto viajava e comecei a cultivar outro hábito: o de escrever diários de viagem. mas o problema continuou porque eu nunca conseguia fazer uma narrativa linear. eram sempre impressões dispersas, fatos e anotações sem aparente conexão... enfim, era uma confusão que às vezes nem eu conseguia entender depois.

nos últimos tempos, comecei a me interessar pelo haicai. o interesse como leitor já existia e começou com paulo leminski (que me fez procurar os escritos de matsuo basho e outros mestres), mas agora apareceu também a vontade de escrever nessa forma.

o haicai tem uma ligação forte com viagens (vide o famoso diário de basho, escrito durante suas andanças pelo japão), isso acontece pela relação deste gênero com a contemplação da natureza, o que nos leva à fotografia. o haicai, pela concisão na busca de "retratar um momento", também se aproxima do "clic" fotográfico.

escrevi tudo isso para dizer que nas últimas viagens que fiz, descobri no haicai uma maneira eficiente, simples e prazerosa de registrar minhas impressões de viagem sem depender totalmente da fotografia e sem ficar perdido em anotações sem nexo.

aqui vão dois dos vários haicais que já escrevi desde que cheguei aqui em liverpool (inglaterra) há três dias. considerem como fotografias de viagem:



gritos de gaivota
envergam a baía
na curva da asa



nas pedras da praia
ondas quebram sem ruído
ao vento gelado