segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sobre com quem eu rompi

Há um tempo (pouco tempo) descobri a diferença entre ser simpática e ser boazinha. Em ser boazinha está implícita a ajuda, o companheirismo a qualquer custo e a obrigação de engolir gente de quem nunca gostei, mas poxa, é difícil romper laços.
Com o tempo e a constatação, como diz Lourenço Mutarelli, de que a vida é dura, aprendi a ser rude e a evitar pessoas. Em alguns casos, aprendi a selecioná-las e - desculpe a palavra, ou melhor, é isso mesmo - descartá-las.
Foi-se o tempo em que eu já fiz amizades mais rapidamente - era preciso pouco, perguntar meu nome e uma latinha de cerveja ou uma fila de banheiro para eu contar minha vida e criar mais uma amizade “sólida” -, mas mesmo assim, considero-me uma pessoa até simpática. Claro, nas devidas proporções. Não peça para morrer de amores pela ex do meu namorado ou pela vaca que roubou meu lugar na fila. Como disse, a bozinha non ecziste más.
O fato é que tem muita gente que me cansa. Pelos mais diversos motivos. Se eu vivesse 24h ao lado de alguém com voz de taquara rachada sei que ele ia me cansar. Mas minha implicância quase nunca é por coisas contra as quais as pessoas não podem lutar, como a voz que Deus lhes deu.
Em geral, me enfezo, de verdade, com pessoas que me fazem mal. Seja por me jogar contra outras, seja por serem injustas, seja por acreditarem que eu as ameaço. Não estou dizendo que não faço mal a ninguém. Já tomei atitudes erradas na vida como qualquer pobre cristão, mas nesses casos sei admitir que errei. Peço desculpas, mando cartões com justificativas quilométricas. Na maioria das vezes, passa-se por cima e deu.
Porém, há pessoas que fazem da sua rotina diária pensar no mal dos outros, principalmente de quem tem uma vida, julgam elas, melhor do que a sua. Valha-me Deus, para eu ser um indivíduo de vida invejável falta-me muito. Portanto, quando é assim, uma criatura dessas merece meu desprezo e que eu a expulse da minha vida.
Já rompi relações com gente com quem convivi dias inteiros e julguei de coração valioso. E para quem vê de longe todo o script é difícil de acreditar. “Ué, não se falam mais?”. “Pra você ver, acabou”. “E por quê?” “Sabe quando acaba o amor no namoro e o relacionamento esfria? Ninguém sabe ao certo como acabou, só se sabe que nada mais é como antes?”. Amizade falsa não se sustenta, gente hipócrita me dá ânsia e eu prefiro que o destino final seja mesmo o fim.
Lógico que já houve rompimentos mais dramáticos. Na minha coleção de ex-amigos, há pessoas que não recebem nem meu cumprimento ao passar pela rua. Optei por aquele apagamento de memória do “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” na vida real e apaguei tudo o que aquela pessoa representou na minha vida. Claro que existe a falha do sistema e surgem alguns resquícios daquela amizade tão, tão “perene”.
- Ei, nessa foto aqui... Essa não é aquela menina da biblioteca? Vocês foram amigas?
- Não, você deve estar se confundindo. Essa menina aí foi embora para Hong Kong.
É claro, você sabe que esse era seu sonho secreto. Mas ela continua lá e em certas horas a existência do serzinho lhe faz pensar, principalmente em épocas de final do ano, se não foi um erro você desistir dela, que afinal, nunca lhe deu grandes motivos para o rompimento. Aí você se rebaixa, pede desculpas, canta a ode à amizade e... ela estraga tudo. Com um comentário maldoso pelas costas, por um complozinho armado, pela sacanagenzinha do dia-a-dia.
E se o Poeminha do Contra de Quintana poderia ser perfeito para esbravejar para esses que atravancam meu caminho, eu prefiro terminar esse post com outro, não mais bonito, mas talvez com o conselho que eu devesse seguir:

DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio...
Mario Quintana - Espelho Mágico