segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ad aeternum


já havia escondido a tal barra azul onde piscam alaranjadas as tentativas de contato. deixara o telefone lá longe, no cantinho da mesa. não usava acessórios. seus dedos batiam as teclas repetidas vezes, mesmo quando nada tinham a dizer. contra sua vontade, seus olhos cerravam levemente, simultaneamente ao descolar dos lábios que logo se escancaravam num suspiro profundo. tec tec tec era o que ouvia. pontas deslizando no teclado, o celular fora de seu alcance e a barra escondida. usava alt + tab para transitar entre as telas. quase não tocava o mouse. digitava, digitava, digitava. digitava até sentir os braços doerem. tudo em vão, pois não importava o quão rápido e intensamente trabalhasse, quando finalmente olhava o relógio para conferir o passar do tempo constatava que, em horário comercial, cada minuto carrega trinta deles em si.