sexta-feira, 18 de setembro de 2009

De dentro do onibus

Vi uma menina bonita. Gostosa e bonita, andando ao lado dum nerd magrelo de óculos e cabelo tonhoinhóin. Ela ria, com gosto. E ele falava de canto de boca olhando pra calçada, típico dos tímidos. Ela se divertia. Que ela nunca se esqueça disso. Que ela nunca caia no submundo perverso novelístico com ares de revista teen que seduzem jovens e velhas garotas a desejar o pitbull metrossexualizado que na primeira oportunidade e terceiro gole vomitará aos amigos descolados as ligações, as posições, e confundirá orgasmo e não melindres com biscatice. Reunidos num bar com suas respectivas correntes prateadas pra fora das baby-looks e sorrisos orkutados prontos para qualquer click (não)surpresa, diga-se. O nerd não. Malemá vai contar pro melhor amigo, ou pro cachorro, ou nem pra ele mesmo com receio que os pensamentos ao se tornar palavras carreguem o acontecimento junto pra bem longe, onde ele não possa ir. Melhor guardar, pensa. E bem pensado é. Ele vai caminhar do teu lado, como de costume, pensando no que dizer, sabendo que tem que ser algo que você veja graça. Ele te venera, menina bonita.
Ele quer tua gargalhada, e tudo mais.