domingo, 22 de novembro de 2009

O caso UNIBAN

Uma "brincadeira séria" com o acontecimento. Só porque ele gerou polêmica, foi tratado de forma ridícula e a tal da Geisy, além de ser convidada para posar nua, já apareceu no programa global Casseta & Planeta.

Do blog do ANTONIO PRATA, cronista do Estadão.
11.11.2009 / Seção: Papéis avulsos 12:09:25.


O leitor Eurípedes Paranhos, do Jardim Áustria, São Paulo, pede-me que publique sua carta. Como acredito que esse blog deve ser um espaço de pluralismo e tolerância, aqui vai ela. Cortei apenas palavras de baixo calão e os trechos que incitavam mais diretamente ao apedrejamento de adúlteras e a extirpação de clitóris. O resto, vai como recebi.

A carta chegou anteontem, antes que os jornais publicassem o recuo da UNIBAN da decisão de expulsar a aluna e antes que se soubesse que o Suplicy iria dar uma palestra na supracitada universidade. O leitor Eurípedes deve estar contrariado com os últimos ocorridos. Caso me escreva novamente, prometo publicar aqui suas opiniões.

"O senhor e a senhora, que pagam seus impostos e rezam suas Ave Marias, que estão em dia com o fisco, com Deus e com vossas consciências, devem ter ficado tão estarrecidos quanto eu, diante do caso ocorrido na UNIBAN. Por isso venho a público, prestar meu apoio àquela nobre instituição de ensino, vítima de um linchamento covarde, acuada numa sala de aula por mais de seiscentos jornais, revistas e canais de televisão que, brandindo gravadores, câmeras e celulares, ameaçam violentar o que ela tem de mais sagrado: sua reputação.

Eu já nutria simpatia pela UNIBAN mesmo antes do caso da garota Geisy, quando pouco sabia sobre a universidade. É que gosto de tudo o que acaba em BAN. O Taleban, por exemplo. Comete certos excessos? Sim, comete, mas não se pode negar que acabou com a pornografia, a televisão, o batom, o comunismo e o chiclete, lá no Paquistão. A OBAN: torturava? Torturava. Mas se não fossem eles, queria ver que que os baderneiros tinham feito desse país. Por último, o Bambam, aquele garotinho dos Flintstons, que se veste com pele de leopardo e anda com uma clava, treinando desde cedo para tratar as mulheres como merecem.

E como merece ser tratada a mocinha que vai à universidade com um vestido um palmo abaixo das nádegas?! Ora! Alguém que sobe as rampas mostrando as coxas aos alunos de engenharia quer o que? Quer dar! Quer dar! Onde já se viu, meu senhor, minha senhora?! Um mundo onde as mulheres saem por aí exibindo seus desejos não tardará em se transformar num mundo em que homossexuais do mesmo sexo poderão casar e adotar crianças! Em que a maconha será discriminada! Em que Deus, a Família e a Tradição evaporarão como água na panela.

Alguém tinha que tomar uma atitude, e a UNIBAN tomou, o que não deixa de ser um alívio, num momento crítico de nosso país, quando um nordestino analfabeto e cafona está na presidência da república e corremos o risco de ter uma bugra, ex-empregada doméstica, subindo a rampa do Alvorada - justo nesta hora em que todos os olhos do mundo estão sobre nós, por conta da Copa e das Olimpíadas!

Ainda bem que existem instituições sérias como a UNIBAN, que, como boa universidade, sabe que há o certo, o errado e que isso não se discute. Sabe que cada coisa tem que ser feita em seu devido lugar, e faculdade é lugar de ler, de escrever e, no máximo, acuar uma garota de vinte anos numa sala e ameaçar estuprá-la.

Não que eu concorde que essa tenha sido a melhor saída para ensinar a Geisy a respeitar os bons costumes, mas, veja bem, os jovens cometem seus excessos. Eu, por exemplo, quando tinha meus dezoito anos, ia na avenida do jóquei dar tiro de paintball e jogar ovo podre em travestis. Mas era na avenida do jóquei, não na faculdade, e eles eram travestis, não gente normal, de modo que nem sei porque estou contando isso.

Enfim, vai aqui minha solidariedade à UNIBAN. E saibam todos os que lerem esta carta que o dia em que não houver mais pessoas ou organizações idôneas lutando pela moral e os bons costumes, não hesitarei em tomar as ruas, brandindo minha clava, meu celular ou minha espingarda de paintball, que deve estar em algum lugar, no socavão, atrás das revistas pornográficas e das luzinhas de natal.

Grande abraço,
E. Paranhos"


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Alguns comentários dos leitores superam o inteligentíssimo sarcasmo do cronista:

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Daniela:
Meu Deus do céu! Tô bege. Que pessoa sem noção.
Eu teria vergonha de ser da família desse aí.

Aninha:
Não dá pra lver a sério um cara burro, grosso e preconceituoso como esse, né? Tô passada com tamanha estupidez! Não consegui ler tudo... não carece, nem faz bem ler um troço desses. Então é esse o tipo de gente que simpatiza com a tal UNIBAN??? Tá explicado.

Carolina:
É por conta de textos e opiniões como as citadas acima que eu acredito que ao invés de progredir, nós estamos regredindo! Daqui a pouco voltaremos para o tempo da "Inquisição". E há quem diga que esta é uma opinião arrazoada.

Inconformado:
Esse "Eurípedes" é um burro, ingnorante, racista, machista... deve ser um cérebro idoso e regressado se não parado no tempo, um verdadeiro imbecíl...

Po Prata, você não precisava publicar isso... tu é inteligente, tem muitas informações maravilhosas para colaborar com a cultura e evolução do cidadão, mas desta vez...

Eurípedes vai pra PQP!!!

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Hahaha!