quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

De ver e sentir

- Você comprou um livro infanto-juvenil?

Comprei. E foi um dinheiro tão bem investido, como há muito eu não investia. Finalmente li o que a Tatiana, a outra, a Belinky, já disse. Descobri muitas coisas pelos olhos puxados dela. Balancei a cabeça sorrindo. Pensei se as histórias eram reais, ou fruto da imaginação. Pensei nela, nessa velhinha fudidona, de olhinhos puxados e mãozinha no queixo, nessa avó, na mulher que se resfria, na moça que viveu num tempo tão diferente do meu, na criança russa encantada por bananas. Eu me reconheci, ou pelo menos procurei me reconhecer, como sempre faço com mulheres especialmente admiráveis. Senti um orgulho danado de ter o mesmo nome dela. Lembrei que meu nome é russo, como a nacionalidade dessa escritora, que fala quatro línguas, mas é no português que vive, pensa, escreve e fala. E é no português que ela me fez conhecer um pedaço do mundo através dos seus olhos.
Obrigada por me fazer conhecê-la.