quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Minha breve vida futebolística

Eu não me lembro quando deixei de torcer pro Flamengo, mas acho que o Romário ainda estava por lá. Começou a não fazer muito sentido torcer para um time do Rio, comigo tão longe, no interior de Minas. E futebol, poxa, era preciso ser realista, eu não entendo nada de futebol, então pra que torcer?
Foi assim que a camisa que meu pai me deu acabou perdida em algum lugar do armário, e o Flamengo começou a ser só um motivo pra fazer piada. Walter Minhoca, isso é nome de jogador, Pai? Ganhou a Taça Guanabara, quem se importa? Pai, andei pensando, acho que vou torcer pro Vasco. O que você acha?
De fato, acho linda a camisa do Vasco, mas falava só pra fazer um terrorismo com meu pai, pois cara de desapontamento dele era impagável. E segui assim, cada vez mais distante.

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Em 2007, um curto período que estive em São Paulo, comovida com a alegria dos corinthianos em uma final do campeonato, fiquei com vontade de ter um time novamente. Passava na frente das casas do Tatuapé e estavam enfeitadas, com comidas, bebidas, pessoas animadas. Até telão alugavam. Ah, futebol é bonito, quero torcer também. Mas qual? Flamengo não, muito decadente o futebol carioca (Desculpa, pai). Queria um de São Paulo, já que eu estava lá. Resolvi torcer pro Portuguesa, pois acho que sei lá, tem um certo charme.
Meu amigo Emerson resolveu me ajudar e começou a contar histórias da Lusinha. Lusinha, que Lusinha, Emerson? Marcela, você não sabe que o apelido da Portuguesa é Lusinha? Óbvio que eu não sabia. Ah, deixa pra lá, você não merece ser torcedora. Concordei, melhor deixar pra lá.

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Cansada de ser deixada de lado nas noites de quarta e nas tardes de domingo, comecei a sonhar com o dia que encontraria um homem que não gostasse de futebol. Não é uma tarefa fácil, mas uma vida sem programas de mesa redonda me parecia muito tentadora.
Conversando com a Letícia, descubro que o namorado dela não gosta. Que sorte, pensei. Mas ela gosta, e agora? Sim, o mundo é injusto.
Mais tarde lembrei que já tido sim um namorado que não gostava de futebol, e não era legal. E se tivéssemos filhos? Quem levaria o menino pra ver os jogos? Quem iria levar no parque pra bater uma bola? Eu não quero que meu filho seja o esquisitão da sala. Só vou ter filhos com quem goste de futebol. Está decidido! E tem outra, ser trocada por futebol é melhor que ser trocada por um jogo de rpg. Acredite.

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Já esse ano a coisa ficou diferente, né? Como ignorar o Brasileirão? Até minha avô deve estar acompanhando! Você abre o jornal e só se fala disso. E agora eu ainda tenho um namorado flamenguista, trabalho com um garçon flamenguista, é só flamengo, flamengo. É um clima de euforia tão grande, que fico com dó de ser contra. Até incomendei uma camisa nova pro meu pai. E ah, já que até o juiz do jogo de domingo passado era flamengo, quem sou eu pra não ser?


p.s: se você ainda sonha com um homem que não sabe o que é um tiro de meta, fica a dica @adrianosv

8 comentários:

  1. Platão é juventino. Da Vila Javari! Esse sim gosta de futebol. O resto é marketing esportivo.

    >__<

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  2. marcela, adorei o pôuste!
    e sim, adoro futeboool!

    beijos!

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  3. Longe de ser fanático, esse ano to acompanhando o brasileirão tb.. pedaços de jogos, notícias da internet... Gostei pra caramba do seu post e de outros por aí. Adicionei o blog das 30 pessoas no Favoritos.. xD

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  4. É, ele não gosta de futebol e é bem injusto. Mais injusto ainda é qdo ele corneta o corinthians, sem nem ter um time...muita audácia.
    Quem levará meu filho ao estádio serei eu mesma, já que o tio é um palmeirense escroto.

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  5. Eu já tenho alguém pra levar meu filho no estádio... só não tenho o filho ainda pra ser levado!

    E sei que o tio do filho da Letícia vai junto pra ajudar a segurar a criança qdo ele capotar de sono !!!

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  6. Pode deixar que se o sobrinho nascer corinthiano eu levo, pra sacrificar.

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  7. Letícia, o seu filhote pode ser curintiano, sem problemas...

    O importante é ter saúde!!!!

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  8. Meu Deus, a coisa do RPG bateu forte dentro de mim. Acredito, sim, experiência própria. E a coisa do Pai, Vasco, Flamengo também existe lá em casa. Com a diferença que ele se diz vascaíno (só pra detestar flamenguistas). Meu irmão me ensinou criancinha a cantar o hino do Flamengo para irritá-lo.

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