domingo, 21 de março de 2010

Entre quatro paredes


O marido chama a mulher para o aposento:

- Vamu logo qui hoji é dia da gente "nhanhá", minha gordinha tesuda!

- Ihihihih! Pshhh... Ó, as criança podi iscuitá!

- Cala boca e vem logo aqui sua assanhada!

Depois de uns cinco minutos trancados no quarto, os murmuros e risinhos contidos davam lugar aos sons de gritos e gemidos de prazer. O escândalo era tão grande que os dois filhos do casal comentavam entre si com o caçula tapando os ouvidos:

- O pai e a mãe tão briganu di novo?

- Não, tão juntando suas carnes numa coisa só!

- Quê qui cê falô, Sara?

- Cê é muito novo pra sabê desses troço dos adulto, Juãozinhu! Vamu drumi.

Mas Joãozinho não conseguia pregar o olho antes dos pais terminarem com a algazarra semanal. A paz na casa só reinava depois que ele escutava a porta do banheiro bater e o chuveiro ser aberto: “- Mania de tomar banho tarde da noite, credu!” Não sabia quem ia primeiro, se o pai ou a mãe, mas ele sempre ouvia um tomar banho seguido do outro.

Dia seguinte a matriarca notou que o menino estava amuado. Bem aquietado no seu canto, no que ela lhe perguntou:

- Quéquifoi, mulequi? Por que é que cê tá com essa cara di bosta? Nem tomou sua mamadeira!

- Mainha, xô lhi perguntá uma coisa que tá isquentanu minha caixola?

- Pois pergunte qui eu detesto vê criança cum cara feia!

- O quiéqui ocê e painho fizeram ontem de noite trancados lá no quarto? É verdade que ocêis juntam suas carnes numa só?

- Valei-me, meu Jesus Cristo, qui eu tô crianu um disajustadu ni minha pópria casa!

Antes de saírem apressados, a mulher indignada esfregou a boca do menino com sabão de coco, não sem antes puxar-lhe pelas orelhas. Feito o serviço de limpeza corporal, Berenice levou Joãozinho para o padre de sua igreja lavar-lhe a alma. Ele só podia estar com o capeta. Só podia ser!