sábado, 20 de março de 2010

Ensaio para a velhice

Estou vendo o tempo passar e não sei o que isso quer dizer.

Vejo o contraste da virilidade presente em meu pai nos retratos antigos com os cabelos grisalhos da realidade que se põe a minha frente.

Quando pequeno, prometi para mim mesmo que, mesmo na inevitável ruptura com a idade tenra, conservaria em mim a vitalidade pura e sincera das crianças, unida a insaciável sede de viver pelas coisas boas e simples, sempre.

Hoje, aos 30, me afundei na ilusão de que estava perdendo o controle da situação. “A Crise” veio diante do espelho, que me insultava com sua franqueza ao expor que nada é eterno.

Essência? sabedoria? experiência? O que nos faz maduros? Os anos que se passam? A seriedade para o ato de trabalhar/viver/trabalhar? Esquecer a vida, esquecer o passado.

Não pai, não é por esse caminho que vou. Não quero chegar ao fim da vida com tristeza nos olhos, mas também não quero decepcionar aqueles que depositam em mim a esperança de que um dia crescerei.

Fiz minha escolha, num pacote completo com todos os erros e acertos, toda a dor e prazer, toda facilidade e dificuldade. Nem pior nem melhor, apenas um caminho.