segunda-feira, 1 de março de 2010

eu acho é muito




normalmente escrevo meus textos alguns dias antes e programo pra ser publicado no dia primeiro. acontece que desta vez decidi acordar e escrever. é que os dias têm sido tão diferentes, que sei lá, se eu programasse ontem a noite o que dizer hoje de manhã, seria algo totalmente diferente do que estou vivendo agora. não que isso interesse a você, mas preciso contar que os últimos meses não têm sido fáceis, o que não significa que não foram bons. by the way, de nada adiantou esperar pra escrever hoje, pois vou falar mesmo é do carnaval em recife. enfim. uma viagem linda e estranha à uma cidade que amei e quero voltar pra ela o mais breve possível. lá vivi o carnaval, o meu primeiro carnaval em vinte e nove anos. sim, não gosto, mas precisava experimentar aquela coisa toda pra dizer que não quero mais. o bloco eu acho é pouco - bom demais - descendo as ruas de olinda e se afunilando a cada verso de suas músicas e que me fez lembrar o metrô de são paulo em horário de pico, só que com pessoas lindas, felizes e bêbadas. o galo da madrugada, o maior do mundo, provando que tristeza tem fim, felicidade não. os encontros na escadaria em frente ao museu de arte contemporânea na treze de maio, com seus beijos, agarrões e arrastões denotando um desrespeito consentido, uma decepção sem arrependimentos, uma vergonha alheia e a vontade de voltar pra casa. brennand, casa de banho, arrecifes e outros passeios maravilhosos. o desencontro com amigos de são paulo, o encontro com desconhecidos e amores eternos sem identidade que terminaram em vinte segundos. as mais de quatrocentas mensagens trocadas, os telefones anotados e apagados em seguida, o sentimento de inferioridade e a alegria de ver a imensidão da praia de boa viagem. as festas vip, os shows, a vodka. a despedida definitiva enquanto aguardava pra retirar a bagagem na volta à minha cidade e a espera surpresa no aeroporto. porto de galinhas não é tão bonita como pensava, mas os últimos minutos naquela praia valeram a viagem. as hospedagens camaradas, as recepções sempre boas e acaloradas, o sotaque pernambucano... ah, o sotaque....

no fim, creio que também deixo lembranças boas na cidade. algumas delas faço questão de esquecer, como aquela sombrinha de frevo que ganhei e acabei deixando por lá. no mais, trago comigo algumas fotos, uma cicatriz de queimadura de cigarro no braço direito e outra aqui dentro.

mas volto ao meu marco-zero.

e sem máscara.
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