segunda-feira, 8 de março de 2010

Meu primeiro celular

Semana passada comprei meu primeiro celular. Na verdade foi o terceiro, porque o primeiro meu pai me deu quando eu tinha uns 18 anos. E eu chorei.
Eu odiava celular. Eu odeio celular. Ganhar um aparelho era uma ofensa, então devolvi, recusei, sem apertar um botão sequer.
O segundo foi quando casei, não tinha telefone fixo e meu pai me deu pra usar como se fosse telefone de casa. Era um tijolão usado, que a bateria não durava nada. Novamente devolvi, recusei, sem apertar um botão sequer.
Agora eu comprei um, o primeiro de verdade. Vou passar mais de hora por dia em ônibus, ruas, sozinha, e realmente vou precisar.

Sinto falta dos cartões, das fichas, local e ddd, em longas carreiras de papel.De ligações para o pai buscar, de ficar ouvindo o papo alheio na fila, dos trotes a cobras para a Bahia.
Odeio celular, vejo mais pessoas nas ruas com celular do quê com cigarros.
Um dia fui comer no Mcdonalds (o que pra mim é um passeio capitalista e gostoso) e um cara solitário teve uma longa e alta conversa no celular enquanto comia. Achei uma puta falta de respeito com seu bigmac.

Não adianta, pra mim a pessoa está falando sozinha, rindo sozinha, brigando sozinha, gritando no meio da rua sozinha. E se não tiver falando com ninguém? E se estiver mesmo falando sozinha? Se for uma louca?
Uma vez um cara chapado, bêbado talvez, andava numa rua perto da minha casa, tinha uma conversa bem gesticulada na calçada, ele conversava com um 2, um 2 pixado no muro perto da firma.
Celular pra mim é um 2, um 2 pixado no muro.