domingo, 11 de abril de 2010

Dando uma limpa no armário

Eu adoro a diversidade, a possibilidade de mudanças, mesmo que diante de dois sorvetes de sabores diferentes eu não consiga escolher e fique com um de duas bolas. Acho fantástico poder escolher, e isso desde um simples par de sapatos ao Presidente da República, duas tarefas difíceis, mesmo com tanta discrepância de alternativas. Tenho mania de comprar três vestidos iguais, de cores diferentes, pelo simples prazer de poder escolher depois, entre uma roupa que me deixa bonita, a cor que me cai melhor naquele dia. Para isso preciso também de bolsas, cintos, sandálias, tiaras, brincos, lenços, tudo aquilo que combine ou não, mas sempre é necessário escolher. E escolher toma tempo. É um processo que começa nas vitrines das lojas, nas revistas entregues em domicílio, nas propagandas da televisão. Com o tempo nós sabemos bem aquilo que mais nos agrada, o melhor modelo de calça, blusa, calcinha ou tênis. Aquela fôrma é grande, o outro modelo é pequeno. Determinada marca passa ser a preferida. Assim também acontece nos relacionamentos. No mundo existem milhares de pessoas em exposição: nas ruas, nos escritórios, cinemas, bares, ônibus, danceterias. Olhamos todas, queremos algumas e acabamos ficando com uma. Depois da escolha, levamos para casa. Umas estragam com o tempo, deixam de servir: engordamos, elas encolhem. Outras nós perdemos, emprestamos, não pegamos de volta. Mas aquelas que são preciosas, que nos são caras, exigem um cuidado especial, e mesmo que o tempo (muito tempo) passe, não perdem seu valor. São básicas, nos servem sempre. Rasgam aqui, desfiam dali, mas a gente não "encosta". Não deixa de vestir, não deixa de usar. Se estraga, mandamos consertar. Se suja, mandamos lavar. E elas ficam para sempre, viram relíquia, viram lembrança, viram passado, presente, futuro. Combinam com tudo. Combinam com a gente.


Juliana Morais