quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Almoçionante

            Primeiro eu queria me desculpar pelo trocadilho infame, mas é que não conseguir resistir. Faz quase um ano e meio que trabalho em uma repartição pública, neste tempo quase todo sempre fui almoçar sozinho, por opção e por amor a vida. Amor a vida alheia, pois meu humor não é nada que se possa considerar como algo saudável quando estou com fome,e, amor a minha própria vida, pois querer matar alguém, também não é saudável. Pois bem, diferente do que podia imaginar ultimamente, esta minha uma hora de almoço tem me reservado várias emoções e surpresas. Eu demoro cerca de vinte minutos pra almoçar (ta aí uma das causas para minha gastrite permanente) e nos outros quarenta minutos costumo andar pela avenida paulista, seja para dar uma passada em uma livraria, seja para ir a um fucking banco.
            Outro dia eu estava só fazendo o tempo passar mesmo (não abro mão dos meus sessenta minutos) e eis que quando fui passar por uma banca um policial abordou a mim e a outros três estudantes do colégio são luiz “não pode passar, fiquem aí, não pode” , a gente tentou retrucar “ma...mas...o que aconteceu?” , ele retrucou “um problema no banco, agora se afastem”. Bom a gente se afastou conforme o pedido dele, e não demorou mais que alguns segundos para aparecer dois guardas, armados, andando lentamente para trás, por um momento me senti num desses filmes sobre gangsters americanos. Estariam os ladrões lá dentro? Confesso que geralmente (quase sempre) torço pelos bandidos em assaltos a banco. A torcida parece ter dado certo, uns vinte minutos depois a policia liberou a passagem para os pedestres, os ladrões já tinham fugido, de metrô, agora somente um unitário poderia impedi-los.
            Em outro almoço eu estava atravessando a rua, praticamente no mesmo lugar, quando um motoboy caiu da sua moto. O meu sonolento instinto solidário me fez ir até lá ajudar o motoboy. Eu mais uma outra pessoa o ajudamos a levantar, tiramos a moto dele debaixo de um carro e a levamos para a calçada, olhei bem para a moto antes de estender o pezinho (da moto...) e foi aí que me arrependi: o motoboy era corintiano. Bom, depois dessa eu haverei de ir ao céu, porque, se ele realmente existir, tem um lugar especial para quem ajuda corintianos. Na volta desta ação benevolente um carro quebrado na Haddock Lobo, nada de muito estranho né? Um guincho, uma pessoa ao celular tentando resolver... Difícil foi explicar isso ao pai da mulher que teve o carro quebrado e, ainda por cima, contava com a desconfiança de seu genitor: “Pai! Não, não acabou a gasolina!”
            Eu geralmente uso estes quarenta minutos do almoço para fazer hora e a digestão, até porque quando saio com a intenção de fazer várias coisas, geralmente não faço nada. Não sei se sou eu quem produz (mesmo que inconsciente disso) o imponderável ou a região e sua movimentação toda que proporciona isto, mas vem sendo uma emoção almoçar ultimamente.
           Ah, hoje (terça, 05/09/10) fui almoçar e vi uma discussão na lotérica, houve um tiroteio em uma agência de turismo e um repórter quis me entrevistar, mas isto fica para um próximo post.

Vlado Galli