terça-feira, 26 de outubro de 2010

Intimidade

Era uma vez um lindo casal de namorados. Vizinhos por coincidência, eles aproveitavam ao máximo a proximidade e se amavam sem parar. Com dois meses de história, seus amigos já começaram a reclamar a ausência dos dois em bebedeiras de sextas-feiras, jogatinas de sábado e comilanças de domingo. Mas não recebiam ouvidos e o casal se mantinha cada dia mais grudado. Viam os mesmos filmes, frequentavam os mesmo lugares, liam as mesmas revistas, não por nada, mas porque eles estavam sempre juntos, tornando todo esse resto inevitável. Os números de celulares já se confundiam,  os horários de ambos sempre coincidiam, e sempre que podiam faziam questão de dormir, acordar, tomar banho, escovar os dentes, comer, tudo na mesma hora e juntos.
Como de praxe, veio a segunda-feira de filmes e chocolates. Luz do quarto do rapaz apagada. Casal abraçadinho no colchão posto no chão, na quina entre parede e guarda-roupa, concentrados hora no enredo do filme, hora nos cabelos um do outro. Tudo se passava bem embora, dessa vez, os dois compartilhassem de uma gripe forte. Dores de cabeça, moleza no corpo, manha e outras mazelas.
Eis que ao fim de todos os filmes e chocolates, em meio a beijinhos, coseguinhas e gargalhadas, veio um inesperado momento de explosão. Que explosão seria essa, meu Deus?! Como isso pudera ocorrer?  
É bem verdade, leitores, que momentos de explosão ocorriam a todo momento. Explosões de todos os tamanhos, cores e formas. Ai, o amor... Simplesmente não cessavam, invadindo a alma, se enraizando no corpo. Deixando em torpor tais mentes apaixonadas. Mas essa explosão foi um pouco diferente, consequente de crises de riso, má alimentação e agonias intestinais. A explosão invadiu o quarto do rapaz gerando um constrangimento sem tamanho.
Como seria agora no próximo encontro? Como se olhariam nos olhos e jurariam amor eterno depois disso???
Na despedida, os 3 minutos de elevador foi preenchido com pesado silêncio e, durante a carona, o casal mantinha olhares furtivos. No beijo final faltou o “te vejo amanhã.” Os dois foram cada um para sua respectiva casa, maculados de incertezas sobre o futuro.


texto de Nathalia Queiroz e Alexandre Dantas