terça-feira, 28 de junho de 2011

Liberte seu batom vermelho

Sempre digo que pensar nesse negócio de fim do mundo não é nada confortável. Sei lá, viver o futuro já é ruim. E se o futuro ainda for tenebroso, trevoso, apocalíptico, pra mim não consegue ser outra coisa diferente de assustador.

Vou confessar, né, tenho medo sim. Mas não a ponto de revogar minha vida e me enfiar na mesquita, rezar loucamente virada pra Meca com a esperança de ficar ‘sã e salva’ no dia do juízo final (o clone feelings). Prefiro não pensar nisso, sério. Quando chegam pra mim falando de 2012 e tal, falam com um sorriso no rosto que eu, francamente, não entendo. Talvez um sorriso de nervoso, ou de brincadeira de quem não acredita nem por reza braba nessa historia bobagenta. Não sei, mas como eu disse aí em cima, pra mim não é nada confortável.

Mas, pensando-não-querendo-pensar em fim do mundo me faz querer aproveitar o hoje. Uma vez, tem muuuuito tempo, ouvi por aí um negócio assim:

- Você sabe por que o agora se chama presente? O agora é uma dádiva, por isso o presente.

E, né? Que coisa mais brega, horrível, clichê e tal! Mas vou te confessar que a partir disso daí (que tem pelo menos uns cinco anos) adotei isso pra minha vida. E hoje vim dividir. E não se cansem das minhas filosofias baratas, façam-me o favor! haha

Você guarda o melhor vinho, as melhores louças, a melhor roupa e aquele batom vermelho-puro-luxo para um momento especial. Sempre fica esperando o momento certo pra usar aquele terno clássico ou os copos de cristal que ganhou no seu casamento. Esse momento pode se chamar agora.

Eu nunca espero nenhuma ocasião especial para usar nada. Nem tampouco me preparo para o fim do mundo. Todos os dias na minha vida eu saio de casa pensando em estar bem vestida (na medida do possível), ‘gastando’ (como muitos aí pensam) a minha melhor roupa, o melhor sapato. Não é porque aquela bolsa custou o olho da cara (para os meus singelos padrões, claro) que não uso ela no dia-a-dia. E, por favor!, eu não nado em piscina de dólares não. Tudo o que tenho aqui foi conquistado, uma coisinha de cada vez, com paciência e muita vontade. E eu valorizo muito. Então, todo dia é dia de usar o que tenho de melhor. Porque eu mereço o melhor.

Pra que a gente espera a visita de alguma tia fresca ou uma reunião de família pra tirar aquela toalha bordada do armário? Olha, eu acho que mereço esse mimo tanto quanto os outros. Então uso sempre, uso todo dia.

Por que, imagina só... Você aí, todo bonitão, pensando que um dia o fim do mundo vai chegar, ou até que a vida vai acabar e ainda não usou aquele perfume importado que sua ex-chefe te deu em dezembro de 92? Porque estava com dó de gastar e não encontrou o momento certo para usá-lo? Poxa, se não teve momento certo em 20 anos, que dirá em mais 20, ou 50, ou 100. Quem sabe o mundo não acaba e você vai arder no mármore do inferno carregando sua coleção inteirinha de canecas do Elvis Presley?

E pensando bem, meu!, as coisas não se acabam, né? Nunca ouvi na vida uma historinha sequer de um jogo de talheres de prata que tenha se acabado por uso contínuo. A não ser que você seja o incrível Hulk e, né, os destrua por pura intolerância.

Um pedaço de um texto de Mário Quintana, diz o seguinte:

"Um dia descobrimos que, apesar de viver quase um século, esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito... O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras."

O fim do mundo não é bem vindo por aqui. Mas, se mesmo assim, você acredita que ele vai chegar, troque as coisas aí de cima por quaisquer outras. E viva suas loucuras agora, enquanto há tempo. Não esconda suas vontades nem o seu blazer no fundo do armário. As vontades nunca passam e a moda passa rápido demais, assim como a própria vida.














Liberte seu batom vermelho.


Foto por: Siri Stafford


twitter: @tabataaa