quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vinte fins do mundo

Todo mundo sabe a definição óbvia do termo “fim do mundo”. Fim da humanidade / fim da Terra / fim do universo. Qualquer um destes fins isoladamente, pode e deve ser caracterizado como o “fim do mundo” da igreja, dos filmes hollywoodianos e do senso comum.

Mas eu não estou aqui para gastar o seu tempo precioso, a sua inteligência e a sua ociosidade no trabalho para falar de algo que você já está calvo de saber. Poderia listar cerca de três mil coisas que eu considero o fim do mundo, mas acho que uma lista de 20 já está de bom tamanho. Ei-la:

1. Começar a fumar cigarro, mesmo sabendo que faz muito mal à saúde.
2. Ser um vagabundo mental. Ou seja, não exercitar o cérebro regularmente e ficar preso somente às ninharias fáceis e burocráticas do dia-a-dia que ele, o cérebro, já faz com o pé nas costas. O cérebro é um músculo que precisa de exercícios todos os dias. É o fim do mundo tratá-lo como uma ameba.
3. Eu mesmo achar o item número 2 de extrema importância, mas não conseguir colocar em prática do jeito que eu gostaria. O mesmo vale para o item 4.
4. Fazer apenas o que dá prazer. (fazer coisas que você odeia tornará as prazerosas ainda mais prazerosas e será de extrema importância para o item 2)
5. Tratar o próximo com desdém sem motivo algum.
6. Pensar no termo óbvio de “fim do mundo”. Se o mundo acabar, acabou. Você não poderá fazer absolutamente nada. Viva a porcaria do presente e pronto.
7. Encher o saco dos outros, sobretudo do(a) namorado(a). Não é porque o seu saco já está cheio que você precisa pegar emprestado o saco alheio para encher um pouco também. Esvazia o seu próprio saco e enche ele de novo. Mas deixe o saco dos outros em paz.
8. O jornalismo barato que gosta de criar polêmica por esporte. Não só no esporte, mas também por esporte. Acham um pentelho dentro de uma sopa do tamanho do Maracanã e focam apenas no pentelho.
9. Perder o nosso tempo lendo matérias polêmicas idiotas que a gente já sabe que são polêmicas idiotas só pelo título.
10. Não ser contraditório. A contradição é a chave para a criatividade, para a mudança de ideias, para a inovação, para a intuição e para a paixão. É importante ter uma boa essência que respalde as suas opiniões contraditórias. Porém, sem contradição você é apenas um robô com uma boa essência.
11. Pais que dão tudo que os filhos pedem e não dão limites.
12. Deixar de jogar videogame depois dos 30 anos, só porque é coisa de “criança”.
13. Execrar e falar mal de bandas que você amou e ouviu intensamente na infância e adolescência. Tenha um mínimo de respeito pelos seus hábitos passados. Não precisa dizer que tais bandas são incríveis, mas ao menos respeite-as. O mesmo vale para as namoradas que um dia você gostou. Não é só porque você está ao lado de uma muito melhor que você precisa ficar falando mal das anteriores.
14. Ser um babaca.
15. Ser um babacão.
16. Muitas vezes não ter como saber se estamos ou não sendo babacas.
17. Ser repetitivo.
18. Ser ainda mais repetitivo.
19. A gente achar que é o fim do mundo a internet parar de funcionar. Isso deveria ser visto como a salvação do mundo. Como a chance de poder dar uma volta no parque, ler o jornal na cozinha bebericando um café com leite frio, arrumar o seu quarto, que está um zona. Ficar aflito com a queda da internet é o fim de todos os fins do mundo. Todos nós estamos nesse barco. Lamentável.
20. Voltar a trabalhar depois de ler esse texto.