sexta-feira, 3 de junho de 2011

O meu fim do mundo

Não sei o motivo de tanta histeria. E daí o fim do mundo? Deixa acabar, ué. Não tem que ser necessariamente uma onda gigante que vai varrer todos os continentes, uma fenda de lava que vai sugar e fazer churrasquinho de tudo e de todos. Isso é coisa de cinema. Tá bom, é bíblico (é?), segundo o que eu assisti em Supernatural, mas quem disse que não pode ser bonito?

Imagina só, talvez um monte de estrelas cadentes, o céu igual a um reveillon, já pensou? Ou um único meteoro, grande, bem grande, do tamanho do Corcovado, como disseram uma vez que seria, entre as seis e a sete da noite, a minha hora favorita do dia. O céu todo colorido, azul, rosa, laranja, e aquela pedra se aproximando, maior a cada segundo. Poético, né?

Talvez fosse tão rápido que ninguém se desse conta. Um raio de luz e pronto, acabou. Ou devagar, com tempo suficiente para planejar o seu fim do mudo. Com os amigos ou com a família? Interior? Litoral? Não, litoral não. Imagina o congestionamento na serra.


Fiquei pensando o que faria no caso de dar tempo de planejar. Não foi fácil, visto que eu mal sei o que fazer no meu fim de semana, mas depois de muita reflexão cheguei a uma resposta.Pensei em beber com os amigos, em declarações de amor, amores atuais, amores perdidos, em sexo com estranhos, drogas alucinógenas, em torrar cada centavo da minha poupança, sair por ai sem destino certo, mas nada disso me trouxe a sensação de felicidade. Ou pelo menos de felicidade derradeira, sabe? A grande felicidade.

A grande felicidade mesmo, nesse dia tão importante, seria estar de estar no meu quarto, sozinha, ou na companhia dos meus gatos, que é pra não ter que dar satisfação pra ninguém, vestindo um pijama velho e largo, assistindo um seriado na TV e tomando a sopa de fubá da minha avó. Não pode ser qualquer uma. Tem que ser a da minha avó, aquela cheia de ovos e couve picada. E um chocolate se sobremesa. Belga. Não, melhor. O pudim de laranja da minha mãe. E pronto, que se faça o fim.