terça-feira, 26 de julho de 2011

dos deslocamentos

no mês passado, o dia 26 passou em branco. fiquei desolada quando me dei conta. havia encerrado um momento importante do meu trabalho na universidade que eu resolvi considerar como o fim de um ciclo. estava exausta. talvez daí o "branco".
 
desde então, percorri longas distâncias. e ainda agora estou bem longe de casa. há um modo mais simples de dizê-lo: saí de férias. mas se o digo de modo tão grave é porque estas distâncias são também interiores. dizem respeito também às decisões. deslocamento é uma palavra bonita, não? e também misteriosa. nem sempre percebemos, mas tem a ver com desapropriação, com não-lugar. é um desarranjo nos dias e, por consequência, uma perturbação no corpo. 
 
e só traz consequências interiores se, junto com o deslocamento, acatarmos essa desapropriação, essa perturbação com desejo. em palavras mais simples, não adianta viajar se for para continuar vivendo como se estivesse no aconchego da casa, querendo as mesmas comodidades. é preciso deixar-se perturbar. abrir espaço para o inesperado, para a surpresa, mesmo que nem sempre seja boa. talvez esta seja a busca mais necessária::: em cada lugar, acatar o que há de vir com voracidade.
 
a imagem,  então, ainda é a mesma do dia 26 de maio: a do desejo. porque tenho cá para mim que sem desejo só resta a imobilidade; o oposto do deslocamento. sem desejo não há como querer fazer do até então desconhecido algo conhecido.
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