quinta-feira, 28 de julho de 2011

Atenção senhores passageiros, dêem boas-vindas à insegurança

O que vou falar hoje é tão pessoal, mas tão!, que não sei se cabe pra todo mundo. Mentira, cabe sim e eu tenho certeza. Se você acha que não cabe, leia de novo, do começo ao fim. E procure uma brecha pra encaixar isso na vida. Fará toda diferença.

Há alguns meses vivi um drama. Uma decepção, na verdade. Não é fácil esperar demais das pessoas e não receber nem uma flor em troca. Enfim, isso tinha que acabar e é bem verdade que acabou, antes mesmo do próprio fim, eu diria.

Essa não é uma história de superação. Nem um post de auto-ajuda. Mas é pra mostrar como é possível que uma atitude ou outra te eleve do degrau-escória pro degrau-oi-sou-linda-deixa-eu-ser-feliz-e-não-canse-minha-beleza.

Bom, depois dessa crise – que por sinal foi uma das maiores da minha vida – eu percebi uma coisa em mim: tenho preguiça de sofrer. Ou melhor, MORRO de preguiça de sofrer. Meu sofrimento durou, sério, 2 semanas, exatamente. Quando me dei conta de que aquele chororô todo não ia me tirar do lugar tampouco mudar o que já tinha acontecido. Sai fora. E eu saí.

E tive uma experiência redentora. O maior problema de você encarar uma crise é não saber contorná-la. Crise todo mundo tem, momento ruim, igualmente. É bem aquela história de ficar sem reclamar. Se você não contorna a situação desagradável, ela vira um carma! Uma nuvem escura e sombria! Uma fumaça! Um caos! Um infeeeerno! (ufa.)

Às vezes, uma fase que parece ser a pior das piores, se você transformá-la, pode ser bastante digna. A crise é uma ocasião do crescimento. A crise é inesperada. Ninguém espera que um dia vá sofrer. Ninguém passa a vida pensando que tudo de maravilhoso que se teve um dia pode desmoronar e, bingo, tensões e mais tensões e mais confusões e choros e dramas e o mundo caiu, cataploft.

A gente passa a vida toda desejando estabilidade e segurança. Claro que isso é bom, e até necessário eu diria. Mas a estabilidade nos leva à acomodação. Deixamos tudo no piloto automático quando está estável, e às vezes é necessária uma turbulência para nos tirar o chão e nos devolver o ar próprio.

O avião. Todos viajando calmamente, como se não estivessem a trocentos metros do chão, planando naquele céuzão imenso e desafiando loucamente a lei da gravidade. E uma segurança que todos possuem: nada parece que vai acontecer.

De repente, uma turbulência. E os passageiros se dão conta de que, sim!, essa não é uma situação tão plena assim, nem tampouco segura. Um cachoalhão, ou uma crise, que te tira a estabilidade e te faz pensar em milhões de coisas para que não se agrave mais. A turbulência passa, e você fica mais esperto.

E é dessa maneira que se cresce. Às vezes é preciso desejar a insegurança de um momento, para que a turbulência, o cachoalhão, o pontapé, agitem seu mundo e te traga uma nova maneira de enxergar a vida. Não se acomode, gere suas instabilidades. Elas não são confortáveis, mas são necessárias.

E se durante o vôo você se encontrar em queda livre, não se desespere! Leve seu assento, ele é flutuável. Eu nunca ouvi falar de ninguém que morreu de crise.




























Pronta pra mais uma viagem.



~ Agradecimento especial para Pamella Martelli, meu porto seguro (e inseguro!)

Foto por: JGI/Jamie Grill

twitter: @tabataaa
fiz um tumblr! vê lá a bobagem: Pop She Bop