quinta-feira, 7 de julho de 2011

QUERO ME COMER

   Alcatraz, Fuga Impossível é um filme, do finalzinho dos anos 70, estrelado  por Clint Eastwood, que conta a história verídica de Frank Morris, um sujeito que conseguiu meter o pé daquela que, talvez, tenha sido a  prisão de segurança máxima mais conhecida do mundo e que nunca mais foi visto.

      Pra quem tá lendo essas primeiras linhas e já tá apostando que o meu texto é sobre cinema, quebrou a cara feio.  Comecei falando do filme porque, ultimamente, tenho pensado muito nele.  Tudo porque voltei para a academia.  E toda vez que eu tô lá, me matando no crucifixo inverso, me  vem à cabeça a  história do Morris e toda a sua aventura para fugir daquele lugar.

     Tá, eu odeio academia.  Mas se odeio, porque tô malhando, então?  Explico:  eu  fui uma criança muito, muiiiito franzina.  Magrelo mesmo.  E como na  minha geração existia o pensamento que criança saudável era criança rechonchuda, toda a comida e vitamina que me puseram pra dentro, um dia, fez efeito.  Daí, já viu.  O molequinho puro osso se transformou no adolescente fofinho que não quis se tornar o adulto fofão e que, portanto, tratou de brigar com a balança.  Ok, eu venci a disputa (acho).  Perdi todos os quilos extras e, desde então, nunca mais voltei a engordar.  Acontece que prum cara de 1,70m (descobri na avaliação que, na verdade, é 1,68m, mas nem fodendo eu dou o braço a torcer) com menos de 60 kg, um corpinho mais definido não caía nada mal.  E lá foi o Marcelo pro "Projeto Verão Intenso", prometendo que  a estação mais quente do ano é minha, vou abalar corações e pegar geral; mulher, homem, cachorro e bananeira.  Respirei fundo, criei coragem e procurei a academia mais próxima.  Fiz matrícula, avaliação e parti pra primeira aula.  E enquanto sujava as calças fazendo o tal crucifixo inverso, me imaginei o próprio Clint, traçando planos mil pra me mandar dali e refugiar na biblioteca mais próxima.

     Lembrei de todas as situações vexaminosas que passei das outras vezes que malhei.  Já morri levantando “pesinho-de-mulé”, já fiquei preso no Leg Press, já fui pego pelo professor roubando na série, mas o grande ápice foi quando, um dia, esperando minha vez num aparelho, fui abordado por um rapaz, perguntando se eu queria revezar.  Revezar soou muito gay, de cara.  O que não é exatamente ruim pra quem que pegar mulher, homem, cachorro e bananeira.  Revezei, né?  O pior mesmo foi ter que vê-lo se requebrando diante do espelho, enquanto eu punha os bofes pra fora, se olhando e desejando, mordendo os beicinhos como quem diz “EU ME AMO, EU ME AMO, EU QUERO ME COMER!”. Saí de lá antes que ele me comesse e fui afogar as minhas mágoas  lendo Tolstoi e tomando Milk Shake, jurando que, só morto, pisava novamente num lugar daqueles.

     Paguei a língua, né?  Tô eu aí, mais uma vez, tentando dar um tapa no corpitcho.  E, dessa vez, juro que não desisto, mesmo levantando “pesinho-de-mulé”, mesmo ficando preso no Leg Press e - OH, CÉUS - tendo que encarar os EU ME COMIA que encontrar pela frente. 

     Ah, se eu fui pra academia hoje?  Bem, hoje não, né?  Sabecumé, tinha o post do Blog das 30 Pessoas pra escrever.  Mas amanhã, eu juro, tô lá...  Firme.  E forte.

  


     
       Eu acho.