domingo, 21 de agosto de 2011

Domingo à noite é depressivo.

A cena é um sofá, um roupão, uma caneca de café e Roda a Roda Jequiti na TV. Um cigarro também cairia bem, se eu fumasse. A luz meio penumbra, como a de uma vela que termina, a vela da alegria e da felicidade de se ter tempo pra fazer nada. A gente vai pra cama como quem vai pra forca. Entre apagar e acordar é um triz, e aí já é segunda, 6 da manhã e você tem que levantar, faça frio, chuva ou tempestade de areia.

Vive-se uma fossa no domingo à noite. Faustão nos faz querer cortar os pulsos ali mesmo, é o gosto amargo do fim dos tempos que invade nossa boca. Mas resistimos duramente à semana de trabalho somente pra sentir o êxtase da sexta-feira, quando acontece a mágica de se transformar em sábado antes mesmo da meia-noite, sexta à noite já é sábado. E isso por melhor que seja o trabalho, ninguém gosta de trabalhar cinco dias seguidos o dia inteiro. Seis dias então, já é regime escravocrata. Sou quase uma judia ortodoxa, o sábado é sagrado. E o domingo é pra cair em depressão. Um ritual inquebrável. Respeitem, por favor.