terça-feira, 16 de agosto de 2011

lha do Medo

Fui à janela indagar da noite por que razão os sonhos hão de ser assim tão tênues que se esgarçam ao menor abrir de olhos ou voltar de corpo, e não continuam mais. A noite não me respondeu logo. Estava deliciosamente bela, os morros palejavam de luar e o espaço morria de silêncio. Como eu insistisse, declarou-me que os sonhos já não pertencem à sua jurisdição Quando eles moravam na ilha que Luciano lhes deu, onde ela tinha o seu palácio, e donde os fazia sair com as suas caras de vária feição, dar-me-ia explicações possíveis. Mas os tempos mudaram tudo. Os sonhos antigos foram aposentados, e os modernos moram no cérebro da pessoa. Estes, ainda que quisessem imitar os outros, não poderiam fazê-lo; a ilha dos sonhos, como a dos amores, como todas as ilhas de todos os mares, são agora objeto da ambição e da rivalidade da Europa e dos Estados Unidos.
Quando Machado de Assis escreveu o texto acima, jamais imaginou que os USA deixariam de ser um triple A e que a Europa teriam milhões de jovens que acordaram devido a impraticabilidade dos seus sonhos. Que o suor do seu trabalho e aquelas milhares de horas gastas em estudo não é garantia de nada, que terão lidar com o incerto e com o inseguro. Pior, não há como aqui o refúgio dos concursos públicos da inamovibilidade e a garantia do emprego eterno.

Well, agora os selvagens agora são eles.