sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Assim justifico essa chatice

Quero ser velho. Finalmente usar chapéu, boina, com a senil permissão do tempo (saiba você jovem, por um na cabeça é blasfêmia maior que cuspir em santa). Quero cagar nas calças sem culpa, deitado ali, assistindo uma tela, enquanto me viram, limpam e trocam a fralda, sem que eu me esforce. O mínimo. Quero sair de casa pra jogar bocha no horário de pico só pra rir da tua cara jovem, cansado, esgotado, que trabalhou o dia inteiro em pé e que vai ter que aguentar mais um pouquinho, pra eu ir sentado no busão. Quero levantar às 3:30hs pra buscar o pãozinho, e na primeira fornada do dia cornetar o balconista: - O mais torradinho filho! esse! Deus abençoe... . Quero deixar os pelôs do nariz e das orelhas crescerem, sem limites. Quero cochilar de tédio. Alguém começa um assunto pé no saco e ao invés de dar atenção, eu ronco (ninguém questiona o vô nessas horas). Quero xingar todo mundo de arrombado, roubar supermercados, caguetar os segredos da família inteira pra depois por a culpa no Alzheimer.
Quero ser Clint. Na verdade quero ser Morgan, pena não ser preto. Porque no fundo mesmo quero é ser Nelson. Maior blasfêmia que essa só saindo na rua de boina.