sábado, 3 de dezembro de 2011

Às capivaras

Todo dia eu voltava do trabalho e elas estavam ali na beira do rio, as capivaras. Tão fofas, uma família de porquinhos da índia gigante. Eu encostava na ponte e ficava olhando. Os carros que passavam na avenida diminuíam a velocidade para olhar também, e elas lá, pastando calmamente. Fiz até uma amizade lá na ponte das capivaras, uma moça que vinha de bicicleta e ficava observando também. Não sei o nome dela, mas conversamos todos os dias. Você viu como aquela ali cresceu?- ela me perguntava.

Um dia na TV vi uma reportagem com uma veterinária defendendo o extermínio das minhas amigas dentuças. Segundo a doutora, elas passam febre maculosa, quer dizer, elas não, os carrapatos que elas carregam no pelo. A reportagem seguiu com um fazendeiro, explicando também que com a falta de predadores naturais e muita oferta de comida (as lavouras) elas estavam se multiplicando demais e acabando com as plantações.

Então é assim? Elas têm carrapatos, vamos matar geral? Por que não desenvolvem uma medicação, um veneno para carrapatos? E quanto a superpopulação e as plantações, ora, na Índia também temos superlotações de pessoas. Vamos jogar uma bomba na índia então e resolvemos o problema de alimentos do mundo! Foi o que eu disse para a amiga da bicicleta, que viu a reportagem também, mas não entendeu minha analogia e me olhou meio assustada. Talvez eu tenha exagerado no tom, mas eu achava mesmo um absurdo.

Vi também uma reportagem sobre um grave acidente de trânsito causado por capivaras que invadiram a pista. Nem foi aqui na região, mas pessoas morreram. Fiquei engasgada. Dias depois as capivaras sumiram. Semanas se passaram e nada delas. Mataram todas. Nem a moça da bicicleta eu vi mais.

Mas não é que hoje, dia 03, eu estava andando na avenida e descubro que elas não foram exterminadas por nenhuma veterinária sanguinária? Elas estavam lá, no mesmo lugar de sempre, a ruiva e sua trupe, mas agora com lindos bebezinhos. Quatro. A coisa mais fofa do mundo. Agora quero encontrar a amiga da bicicleta e cantar "as capivaras voltaram, e eu também voltei". Ela vai me olhar de um jeito estranho de novo, mas quem liga?