sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

2000 e quanto?

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A festa havia acabado, as horas haviam se passado e o Sol havia surgido no horizonte (sim, eles haviam assistido a esse “espetáculo” – como ele seria, se o tempo não estivesse nublado). Mas essa era uma das muitas coisas que não importavam. Há quase nove horas, champanhes haviam sido estourados e fogos haviam explodido contra o céu noturno. E agora lá estavam eles, aquele grupo meio desajustado, sem tanto rumo, totalmente sem convenção, sentados na sarjeta em um silêncio que marcava, indiscutivelmente, o medo do que estava por vir.

Mas ele tinha algo a dizer. E disse. Fez melhor: se levantou e fez discurso!

“Sabem, eu sempre achei a comemoração de Ano Novo meio estúpida. Claro, eu cumpro tabela. E, claro, ter desculpa para virar uma noite com os amigos, se divertir um pouco e parar de pensar tanto no amanhã é ótimo. Mas ‘Ano Novo, Vida Nova’? Nunca engoli isso, e provavelmente nunca vou engolir. As pessoas mudam, sim! As coisas mudam, com certeza! Mas é um número no calendário que vai fazer isso acontecer? Ilusão boba que precisamos ter de que controlamos tudo ao nosso redor, até o tempo em que as coisas acontecem.

Afinal, nas últimas horas passamos de 2000-e-não-sei-quanto para 2000-e-não-sei-quanto-mais-um. Alguém notou alguma diferença? Talvez as mudanças estejam mais palpáveis para nós agora, mas não foi a virada do ano que ditou que elas iriam acontecer.

Eu não estou tentando ser cínico, mas preciso ser para provar o meu ponto. Nesses próximos doze meses, pode ser que a gente não tenha a opotunidade de se ver sempre. Pode ser que nossas vidas tomem rumos diferentes. Mas são doze meses como outros quaisquer. Eles podem ditar distância, eles podem ditar freqüência. Mas eles não podem ditar sentimento.

Isso aqui só vai deixar de existir porque um número a mais apareceu no calendário se a gente deixar que esse número mude o que a gente sente. Semanas, dias e anos não tem o poder de tirar de nós o que queremos por perto. Só nós temos esse poder.”

E, afinal, era 2000 e quanto mesmo? Realmente, isso era a última coisa que importava.

Nada melhor pra começar o ano do que a voz linda da Jordin Sparks nos dizendo pra “ter um pouco de fé”. Um ótimo 2000-e-não-sei-quanto pra todos vocês.