domingo, 4 de março de 2012

ANOTAÇÕES PARA UM LIVRO DE AUTOAJUDA

(por Gilberto Amendola)
(A ideia)
– Quando um relacionamento sério começa a ficar chato?
 – Depende... Quanto tempo você demora?
– Como assim?
– Na cama!
– Uns...
– (Cortando) Dois minutos!
– O que é isso? Pelo menos uns 15, 20.
– Pois então, qualquer relacionamento começa a ficar chato depois disso, meu amigo.
– Mas...
– E alguns já são chatos, inclusive, durante esses cinco, quer dizer, 20 minutos.
(O modelo)
Livro estilo autoajuda/engraçadinho/caça-níquel.
(A tese)
Provar que homens e mulheres são mais felizes quando investem em relacionamentos de tiro curto. Ou seja, em amores de uma noite, um final de semana ou, no máximo, 3 meses. 
(A sacada)
Apesar de pregar contra os relacionamentos duradouros, o livro será extremamente romântico. Uma celebração da paixão, dos encontros casuais e, principalmente, dos amores platônicos.
 (Ser platônico em capítulos)
1 – O que é um amor platônico? 
– Definir amor platônico do ponto de vista da história, da ciência e mesmo da ficção. Usar como exemplos algumas comédias românticas da Sessão da Tarde, clássicos da literatura universal e desenhos animados (por exemplo, a relação do personagem Charlie Brown com a Garotinha Ruiva).
 * Importante: inventar um especialista em Shakespeare (de preferência um inglês) para defender e dar peso à seguinte cascata: a morte de Romeu e Julieta foi o último recurso do casal mais famoso da história contra aquilo que se apresentava como um provável “relacionamento sério” e duradouro.
2 – Como criar seu próprio amor platônico?
 – Regras de como inventar um romance impossível/Monte sua própria mulher (homem) ideal (da cor de cabelo ao signo)/ O charme de ser impossível?/ Como alimentar um amor platônico por muitos anos/ Como levar um amor platônico para cama?/ Como esquecer um amor platônico (ou invente outro amor antes que esse comece a ficar chato).
3 – Um roteiro de como viver um amor completo em apenas dois dias.
 Capítulos: Encontrando um grande amor/ Flerte e conquista/ Depois do terceiro ou quarto copo/ Na minha casa! Ou na sua.../ O sexo/Dormir de conchinha (ou como não deixar o seu braço adormecer embaixo de outro corpo)?/ Dia seguinte – com ou sem café da manhã?/ Sexo – um segundo round pode ser bom/ Primeira discussão/ Diferenças irreconciliáveis/ Segunda discussão/ Amigos?/O adeus/ Como esquecê-la (o) com exercícios de respiração.
(Longos relacionamentos)
Como desmontar o argumento: “Meus pais estão casados desde 1962 e ainda são felizes”.
– Isso não é verdade.
– Por quê?
– Porque se eles realmente fossem felizes você não estaria aqui me aborrecendo com esse assunto ridículo.
– Não entendi.
– Casais têm filhos para superar o tédio da convivência. Quando o casamento está naufragando, as pessoas inventam (fazem) filhos. Aliás, os filhos compensam a tragédia de um relacionamento duradouro.
Ok, fazer essa tese ficar mais palatável e menos agressiva. Do jeito que está, ela pode assustar leitores mais conservadores ou religiosos.
(Próximos passos)
Prospectar editoras/Pedir um adiantamento ou negociar uma porcentagem maior nas vendas?/ Entrevista em importante revista semanal/ Dois blocos no programa do Jô/ Academia Brasileira de Letras?/Como investir o dinheiro que vou ganhar com isso?