quinta-feira, 22 de março de 2012

Um post no sentido figurado

Sempre quis começar um texto exatamente assim. De forma metalinguística.

A caneta feriria o papel branco e de suas veias sangrariam metáforas milagrosas.

O zig-zag do lápis sobre o papel conceberia curiosos efeitos onomatopeicos.

A folha branca, morrendo de cócegas pelo contato com o grafite, me suplicaria por interromper a frase no meio da angustiante prosopopeia!

As aliterações deleitariam da forma mais literal...

Meus paradoxos seriam alegres e bonitos justamente pela tristeza e feiura a que aludiriam.

Os eufemismos calariam palavras difamatórias que por qualquer deslize pudessem escapar de minhas mãos.

Até mesmo os pleonasmos entrariam pra dentro de meu texto, ainda que isso pudesse desagradar os fieis defensores da pureza da língua.

Sempre quis terminar um texto com uma exclamação! Ou melhor seria terminar com uma interrogação? Bom, diante de tal indecisão, de tantas possibilidades que se apresentam, talvez fosse mais prudente um desfecho mais reticente...