quarta-feira, 25 de abril de 2012

amor, tarô e outras viagens

Desde pequena, meu sonho máximo sempre foi o amor. Quando cara a cara com a morte, só pensava no desalento de partir sem sentir essa doçura da vida. Além da fome de mundo que cessaria mesmo quando não saciada. Cara a cara com a morte, a gente se arrepende de muitos desejos. O tarô sempre me diz "cuidado com os seus desejos, menina. eles podem se tornar realidade". É inevitável não fazer comparações da carta da Morte com o Outono. A Morte não no seu aspecto físico, irresolúvel. Mas com o nexo das coisas que são, por natureza, filhos de uma fênix. Assim como esse ser mágico renasce das cinzas, nós sempre renascemos também, entre um cair de folha e outra. Para alguns, só na primavera. Existe momentos que a Primavera, almejada calmaria, não traz a paz que necessitamos. Talvez por uma crença cega que, por ser assim, não nos deixa observar os inúmeros sinais de morte e possibilidade de renascimento que nos circundam. Já morri há alguns anos atrás. Um rito de passagem. Autoconhecimento. No fundo dos meus olhos se via as transformações recentes. O tarô incentivava. A primeira vez que abriram as cartas para mim foi justamente nesse momento. E eu chorei ao receber essa grandiosidade da vida. Como tudo na vida tem seu tempo e, com tempo, se transforma, essa fase não foi diferente. Hibernei. Finquei os olhos para dentro de mim por horas a fio. Comi páginas e mais páginas de livros. Cultuei pequenas ervas. Alecrim e folhas de louro. Fiz exercícios espirais. Depois, me dei ao luxo dos prazeres mundamos. Saídas ininterruptas, atitudes não esperadas. Ver o nascer do sol com desconhecidos. Outro rito de passagem para a fome seguinte. Enfim, um lar. "Só no teu gosto de mar minha alma tem casa". E, assim, a tão sonhada espera foi recompensada. Depois da calmaria, o turbilhão. Alternância de sentimentos. Dos mais profundos. Depois de um embate desgastante com o que julgamos correto e com o que, de fato, se desenrola, outra morte. E, o mais emblemático, em pleno outono. Desses em que se vê folhas amarelas rodopiando pelas praças. Uma imagem linda, com o tom nostálgico, inevitavelmente, pulsando. Morrer é sempre difícil, foge da nossa zona de conforto nem tão confortante assim. Por que, afinal, quantas maratonas teremos que seguir para, enfim, termos uma casa para nossa alma novamente? Primeiramente, o caos. Sou difícil em admitir mudanças emocionais, embora as físicas me fascinem. Mudar de cidade sempre me fez um bem enorme: de Paraguaçu para a roça, da roça para Alfenas, de Alfenas para Ouro Preto, de Ouro Preto para Mariana, de Mariana para La Plata. E anseio por mais! Já as emocionais...Em verdade, sempre tenho a imensa necessidade de me sentir viva. E só consigo isso por vias tortas do que, em teoria, seria o certo. Nessa nova fase, depois do pranto explícito ou calado, a aceitação. Muito longe de não olhar para essa janela, até a primavera, encarar. É só isso que nos falta, muitas vezes. Palavras duras, muitas vezes, são essenciais para enxergarmos a grandiosidade da nossa alma e reavaliarmos pelo que estamos dispostos a lutar. E se lutar é realmente o caminho. Muitas vezes, não é. Acredito que o amor não seja algo passível de disputas e convencimentos - apesar de já ter feito isso inúmeras vezes. Se o amor existe, tem que partir dos dois lados. Uma balança equilibrada - metáfora ridícula, por sinal. Como se o amor fosse algo que se pode fracionar. Mas o que eu quero dizer é que, para algo dar certo, não podemos obrigar ninguém a nos amar. A troca de afetos tem que ser mútua. Se você não pode receber isso de alguém, que tente, primeiro, receber de você mesmo. O tal do amor próprio que, de tão próximo, é o mais difícil de se adquirir. Nessa nova busca, espero que eu possa me esbarrar com ele, amor desconhecido nessa minha pequena alma de 22 anos. De mim para mim, para que eu possa, depois, receber e doar amor de uma forma mais pura, sem obsessões. Não sei quanto tempo essa viagem vai durar, mas estou disposta a correr o risco.