terça-feira, 15 de maio de 2012

Bracho, Paola Bracho

Eu até que consigo bem fugir da maioria dos estigmas da típica mulherzinha: não falo fofo, digo palavrão, não troco o torresminho pela salada no happy hour e não morro de amores pelo Ryan Gosling. Mesmo assim não consigo me livrar dessa anomalia predominante no cromossomo X, que faz com que eu seja uma bomba-relógio do drama, prontinha para explodir, espalhando estilhaços mexicanos em quem estiver ao meu alcance.

Toda mulher é dramática (até a filha da Gretchen, eu garanto), mas nem todas dramatizam da mesma forma. Eu, por exemplo, não sou do time das pobres, inocentes, autruístas e tão sofredoras mocinhas que são felizes só no último capítulo. Eu sou da equipe das que odeiam as Marias (a Mercedes e a do Bairro) e Paulinas. Eu sou da trupe da Paola Bracho, da Soraya Montenegro... sou do dark side, meu amigo. 

E nem é preciso franjinha falsa super-volumosa nem unhas de porcelana "francesinha" para que o espírito da Paola assuma o comando. Quando o ego não foi bem massageado, quando as coisas não saem como o previsto, quando um cara com nome composto me troca por uma sem-sal ou... simplesmente naqueles dias do mês, me pego olhando para o infinito com olhar dissimulado, arquitetando vinganças, armando planos mirabolantes e gargalhando maleficamente.

Mas calma aí, não se precipite. Antes de chamar o padre para me exorcizar, saiba: você inevitavelmente precisa conviver com várias mulheres diariamente e todas são bombas-dramáticas prontas para destruição em massa. Ora ou outra, você terá que vivenciar o chororô pró-diabetes das sempre perfeitas Marias ou a sociopatia paranóica mas também divertida das Paolas.

Eu, já que não tenho muita escolha, me conformo com meu destino. Mesmo que o final me reserve um fim cruel, pelo menos estou me divertindo como posso no restante do tempo.