sexta-feira, 22 de junho de 2012

Admirando o mundo novo

Pablo Gutiérrez de Oliveira Pinto, vulgo Pablito, é um pequeno proprietário rural. Todas as manhãs, exceção feita aos domingos e dias feriados, ele se levanta antes mesmo do nascer do sol para tirar leite de sua vaca malhada. Sem perder tempo, porque Pablito não tem tempo a perder, ele alimenta seu pequeno burro, animal não menos inteligente do que os outros e que já dobrara de tamanho desde o último acesso de Pablito. Ao chegar ao galinheiro, entretanto, Pablito reparou frustrado que lhe faltavam alguns ovos.

Mariana P. P. Lopez, vulgo Mari, fora quem furtara os ovos do galinheiro de Pablito. Mari nunca teve tendências cleptomaníacas e não havia nada em sua vida pregressa que botasse em xeque sua índole. Mas naquela noite, antes de se desconectar do mundo, resolvera cometer aquele pequeno furto, nada que a impedisse de ter belos sonhos. Sonhara com sua verdadeira paixão, muito mais intensa e honesta que suas investidas agrícolas. Mari estava se aventurando na vida empresarial e adquirira um café que era a sua grande mania. O sistema ainda não lhe tinha concedido moedas suficientes para ampliar o seu promissor negócio, de modo que ela estava tentada a se desfazer de suas próprias moedas verdes para abrir uma filial na praia.

Ideia semelhante teve Ricardo Emanuel Cardozo, vulgo Rick, que também roubava ovos de Pablito e era forte concorrente de Mari no ramo do fast food. Rick era muito popular e curtia tudo o que todos faziam. Adorava cutucar e ser cutucado. Defendia a tese de que tudo deva ser compartilhado.

Pablito, Mari e Rick eram pessoas pra frente e descoladas. Eram pessoas felizes e motivadas. Pablo Gutiérrez de Oliveira Pinto, Mariana P.P. Lopez e Ricardo Emanuel Cardozo são introspectivos e quase nunca saem de casa. Morrerão sem nunca terem se conhecido.