segunda-feira, 25 de junho de 2012

eu, criador do meu destino.

Tirado a condição de criatura, eu
Criador do meu destino.



                Cansado das previsões que, outrora, edificaram meu destino mal fadado por antepassados, conservei no que me restava de (in)sanidade aqueles sonhos já sonhados na infância, impregnados de barro e naftalina.  Como se a lembrança olfativa fosse tão real quanto o toque, resgatei nos cheiros àquilo a que me apeguei como um garoto à sua bola, como a mãe ao seu filho, como o vento à suas infinitas folhas. Porque me era por direito modificar meus traços, fazer com que as linhas dançassem pela palma da minha mão. Porque me era de direito o saber e o fazer, e, acima de tudo, o ‘eleger’. Na significância dos verbos, cada um há de conjugar o que achar mais capaz. Eu tiraria da voz o timbre, da corda a nota, do papel, qualquer palavra. Cada passo, uma dança. Em que mudança viveria sua nova vida, pobre coitado? – debochariam meus antigos parentes, descrentes que a maldição tivesse fim. Eu, que desdenhado, desdenhei da vida, resolvi parar de olhar pelo espelho retrovisor.