segunda-feira, 13 de agosto de 2012

19:17,26

A mulher de Ló o fez.
Orfeu, por Eurídice, também o fez.
E todos aqueles que, com medo, mas curiosidade, olharam para a Górgona assustadora, também o fizeram.
Não era sem razão que Medusa vivia na escuridão da Ciméria; Tampouco era sem razões que Orfeu não deveria fazer, mas, à beira de um grande feito, olhou para o mundo inferior.
E o que dizer da pobre mulher de Ló.
Na fé, na marra ou na dor é que aprendemos que o passado pode ser bom para se olhar de longe, mas pode nos manter a 20 mil léguas submarinas com uma âncora chamada neurose.
Na estante do tempo que se foi, deve-se ter a coragem de jogar toda quinquilharia que sentido já não faz. As dores, desamores, mágoas e amarguras ocupam espaço demais.
O que se deve manter sem poeira é o que nos motivará a seguir.
Toda filosofia barata ou auto ajuda já sabem disso há muito tempo – e o tempo? Ah! ele nós fará saber também; 
mas só quando o relógio muda de 23:59 para 00:00 é que tenho a certeza que só por hoje não petrificarei.
Não olhar nos olhos da medusa e não se distrair com o que ficou no passado desocupam nossa mente para o hoje e vivendo com os pés no presente (pode clichê?) se impede que nossa cabeça se vire para trás. Pode-se imaginar que isso é quase um trabalho de Sísifo.
...e pobre da mulher de Ló, que nem mesmo do nome se soube, por mais hoje está sozinha a se perder em partículas no vento, por que eu não virei estátua de sal.