domingo, 27 de janeiro de 2013

Post duplo (ambos inúteis)

Feliz ano velho!

Natal, 2012. De repente me veio uma ideia na cabeça: ver o show do Stevie Wonder aquela noite na praia de Copacabana, no Rio. Por que não? Fui com a minha amiga polonesa, que não tem muita intimidade com o calor. Daí que o Rio estava um inferno. Foi colocar o pé na areia e ela começou a passar mal, muito mal, foi parar no atendimento médico. A hospedagem prevista não rolou. Queimei parte do meu 13º num único hotel que tinha vaga lá nas imediações. No dia seguinte mais calor ainda. Maior calor da história, dizia na rádio. O sol queimando a 43ºC e eu quase morrendo. A minha amiga já era dada como morta - pode-se dizer. No dia 27/12 não postei e foi por isso: o calor do dia anterior me consumiu completamente.


Feliz ano novo!

Janeiro, 2013. Algo que poderíamos chamar de "novidades de ano novo"? Diria que a vida está dura - mas isso não é nenhuma novidade pra ninguém. Objetivos para este ano? Não, não vou fazer aquelas imensas listas de resoluções, que quase sempre acabam antes mesmo de começar fevereiro. E de fato fevereiro já está quase começando, fazendo expirar muitas listas por aí. Só espero estudar mais, ler mais, viver mais - pronto, já estou escrevendo resoluções! Por enquanto, tenho duas certezas: continuar morando em São Paulo e trabalhando na repartição, afinal, "nada vem de graça, nem o pão, nem a cachaça", não é? Cheguei a jogar na mega-sena e por alguns instantes imaginar o que eu faria com os milhões. Depois de construir uma casinha, ou melhor, uma casa, assim grande, branca, no campo, na montanha, na praia e depois resolver comprar um apartamento no Rio e outro em Barcelona e depois pintar de azul, verde-água ou laranja-envelhecido, e então, ajudar todos os mal resolvidos no sistema capitalista (entenda-se: endividados) da minha família, comprar a biblioteca de Alexandria e dar umas centenas de voltas ao mundo de avião, barco, submarino, Zepelim, balão e de nave espacial, vi que a vida de milionária não é pra mim. Essa grana toda não cabe no meu bolso e não cabe mais preocupação na minha cabeça. Porque dinheiro demais é preocupação, convenhamos! É terrível: acumulação de capital, propriedade privada, investimentos e roubos, sequestro, puxa-saco querendo tirar vantagem. Jogar na loteria? Diria que não passa de um hábito burguês de expectativa de acumulação de capital. Carlos Marcos (tradução barata de "Karl Marx" em homenagem a um amigo mineiro) não ia gostar nada disso.  E, além do mais, as minhas seis dezenas nem foram sorteadas mesmo! 

Apesar de tudo, sei que eu preciso pensar positivamente o ano novo. O problema é que me lembro o que um tio de oitenta anos diz: “pensamento positivo é a única arma dos ignorantes” e em seguida me sinto uma ignorante-creio-que-tudo-ficará-bem ou uma pessimista-acomodada-com-as-desgraças. Não, não! Não precisamos levar aos extremos! O ano mal começou não posso me entregar a niilismos profundos como esse meu tio octogenário. Deixa pra chegar nesse estágio de negação total quando estiver lá pro nono, décimo andar do ano. 

Jurei pra mim mesma que não ia fazer do meu dia neste blog um divã de blá-blá-blá-vida-privada, mas agora já foi. Sentimentalismo blogueiro?! Sim, piegas, não tem pé nem cabeça. Em todo canto toda a gente fica fazendo da própria vida um bicho de sete cabeças. Bicho de sete cabeças, bicho de sete cabeças, bicho de sete cabeças. Cresça e desapareça! Meu bicho já está com umas dez cabeças! Só que eu não tenho grana nem paciência pra exorcismo, confissão ou psicanálise. Então, quero mais é que o meu bicho cabeçudo fique por este www, assim feito palavra escrita, assim sem pé nem cabeça, assim piegas e sem custos neste domingo triste. 

Prometo que mês que vem penso em algo mais universal, menos pessoal, mais útil, menos fútil. Posso postar a receita da minha berinjela de forno. É ótima, todo mundo elogia.


ps. Aproveito para felicitar todos os gêmeos que fazem aniversário amanhã.