quinta-feira, 21 de março de 2013

Sem saber o por quê...

Acordou.
O sol já estava alto.

Nem levantou, já esboçou um sorriso, pensando que naquele dia haveria de vê-la!

Ela, que era a sua inspiração para escrever. Por ela, arriscava vez ou outra um verso aqui, outro ali.
Só não estava tão tranquilo pois não a via desde três dias atrás.

De repente, parece que as felizes coincidências não mais aconteciam.
Os telefonemas também cessaram. 
E até as mensagens inbox no Facebook diminuíram.

Foi alertado. Falaram pra ele. Mas não quis acreditar.
Acreditar que alguém é riscado do mapa com tamanha facilidade por outra pessoa era demais para ele.

Sua esperança era que, naquele dia, no mesmo horário e lugar, a veria, com aqueles cabelos esvoaçantes, aquele sorriso e olhar que lhe eram peculiares!

Tirou aquele dia para ele mesmo. Sim, tinha de se arrumar!

Colônia nova, roupa também, lá foi ele!
Lembranças daquele mesmo lugar pipocavam em sua mente. Risos, frases soltas, gostosas e com desprendimento.

Não!

Ela não poderia tê-lo esquecido assim, tão facilmente.



"Ela vai aparecer!"

Olhou o relógio. Faltava pouco.
Um bando de crianças barulhentas de repente tirou sua atenção. Deviam ter saído da escola àquela hora. Um mal estar leve e repentino tomou conta do seu organismo, mas estava tudo bem. Era a irritação típica daquele horário da tarde.

De repente, desponta na avenida o ônibus onde sua amada iria aparecer. No qual deveria estar!

Seu coração foi a mil! Sim! Lá estava o motivo do seu sorriso nos últimos meses!

"Ela está lá! Tem de estar!"

Mas não estava.

As pessoas desceram, tomaram seus respectivos rumos, e ele ali, com o buquê nas mãos.
Disfarçou, assoviou uma música qualquer, olhou no relógio mais uma vez, agora para disfarçar. E constatou: ela não vinha mesmo.

Tomou o rumo de casa.

Olhou os bilhetes. Releu as conversas salvas no MSN e na rede do Zuckerberg.
Nenhum indício de que ele a fizera infeliz ou incompleta.

Onde andaria a menina dos seus sonhos?

Todas as recordações agora vinham com força total.
Momentos ternos de carinho, intimidade e amizade, de onde brotou nele aquele amor!
E pensava ele, que com ela havia sido assim também.

Ligou pra umas duas ou três pessoas (amigos/as em comum) para saber se sabiam do paradeiro dela. Nada.

Mandou mensagem. Telefonou. Nada.

Resolveu ir na casa dela.

Alguma coisa de muito grave deveria ter acontecido. Só podia.

Pegou a blusa (a noite prometia ser mais fria do que aparentava), e lá foi nosso herói.

No celular, as músicas dos dois! Amavam Gun's!

Certa noite, estavam os dois deitados sob a luz do luar, cada um com um fone, e a música tocava. Eram entrelaçados pelos acordes dos solos de guitarra do Slash.

Subitamente, uma risada chama sua atenção.
Era ela! Era ela!
Mas espera... Ela não estava sozinha. 

- Oi!
- Oi!
- Tudo bem?
- Tudo ótimo!

Esperou um "e você?", que não veio.

- Recebeu minhas mensagens?
- Recebi!
- Ah tá! Achei que não tivesse recebido!
- Recebi sim! Ia responder mais tarde!

Mas algo nela o fez acreditar que ela não o faria.
Tinha alguma coisa diferente no jeito dela de olhar, de se portar... De sorrir...

- Mas tá bom então. Até mais tarde!
- Até!

E lá ela ficou, envolta daquelas pessoas que ele nunca havia visto na vida.
Seriam novas amizades? Mas por que ela nunca havia mencionada nada sobre eles?
Afinal... Eram tão íntimos...

...

Nos dias que se seguiram, ele ainda tentou contato por mais um ou dois dias. Sem sucesso.
Parecia que o que diziam era verdade. "O futuro não era mais como antigamente."

Sentia-se deslocado. Da água pro vinho, a situação mudou.
E ele nem sabia o por quê.

Sofreu. Chorou. Estava difícil, mas sabia que tinha de prosseguir.
Resolveu que buscaria forças de onde nem mais encontrava para superar aquela solidão vazia que insistia em tomar conta de sua alma.

Saía com os amigos (que faziam de tudo para dar força pra ele). 
Fingia estar se divertindo aos montes.
Mas era claro como o dia, às pessoas que o conheciam tão bem, que não vinha sendo bem assim.

Passava noites em claro, ouvindo as músicas que um dia dançaram.
Lembrava. Pensava...

Até quando?

Não sabia.

Sabia apenas que um dia conseguiria.

Mais cedo ou mais tarde, outra estrela brilharia no seu céu.

Restava esperar.