segunda-feira, 1 de abril de 2013

das preocupações da vida perto dos quarenta

quando você está perto dos 40 (sim, estou. faltam 8 anos, mas estou) você começa a ter certos tipos de preocupação que antes não tinha.

pintar a parede de vermelho? aplicar pra um doutorado na islândia? adotar um filho?

claro que depende de pessoa para pessoa, mas não estou falando das pessoas normais, que se casam, compram carro e financiam um apartamento com playground e um fucking espaço gourmet. um dia eu falo dessas merdas todas da nova classe média, mas agorinha mesmo estou pensando nessa coisa de o que você quis ser quando era criança e não foi.

eu não queria ser nada quando criança.

ouvia meus colegas dizendo que queriam ser médicos, jornalistas, advogados e eu queria mesmo era me mudar pra lua, andar de cavalo na praia, escrever um livro. isso com 10, 11 anos.

com quase 40 eu ainda não me mudei pra lua e nem quero mais, na verdade. mas isso é porque eu não devo ser assim normal. porque pessoas normais não mudam de ideia. pessoas normais tem plano de saúde, plano de carreira, planos. eu tenho vontades. e mato todas elas. porque faço acontecer.

talvez por isso eu não tenha casa, nem carro, nem posso chamar os amigos pra conhecerem o espaço gourmet do meu prédio porque meu prédio é lindo e antigo e fofo, mas não tem espaço gourmet. então eu chamo meus amigos pra virem ao meu apartamento de quarto e sala e a gente toma vodka e café e conversa sobre os fracassos e conquistas, sobre as novas tatuagens, sobre drogas, sobre anseios, sexo, amores, viagens, filmes, arte, sobre o que realmente importa nessa vida.

como por exemplo adotar filhos, aplicar pra um doutorado na islândia e pintar a parede de vermelho.