terça-feira, 7 de maio de 2013

O dia 7


Escrever aqui é engraçado por que o acaso resolve agir ou aumentar a força dos acontecimentos em dias próximos ao meu dia de postagem. Só isso torna possível a soma de irrealidades que circulam próximas ao dia 07 de cada mês. Dia cabalístico, entorno marcante.

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Primeiro veio o texto de Lucas Guedes no dia 1º e a necessidade de respondê-lo.
Acabo de sair de uma longa relação de três anos e a parte tudo o que envolve uma relação, as características pessoais de cada um sempre se definem no início. E o meu era (assim como é na vida) de antena: de shows, de eventos, de aniversários e tudo aquilo que vocês podem ler no texto do Lucas.
Quando me mudei pra Rio das Ostras concentrei forças para a antena do meu lugar, para as pessoas próximas, cultura, festinhas da faculdade... E muito me doía virar um mero acompanhante das notícias que ele me passava. E me senti um pouco nessa prisão que ele (Lucas) citou em seu texto. Foi um tanto egoísta, reconheci posteriormente. E fico até o presente momento sem saber o que é ceder e dividir o mundo lá fora (ser levado pelo outro) e quando afinar as antenas para o que eu preciso dividir com o outro.

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Depois veio o assombroso mix de calmantes, drogas e bebidas que veio a dar o colapso ou overdose em que um amigo meu se envolveu. Horas de pânico, nós dois sozinhos.

Foram dias que se seguiram e que tudo veio à cabeça: dilemas morais, questões religiosas, certo e errado, sim e não.
Rejeito com violência a idéia de fazer o bem, bom mocismo. No fim das contas fazemos o que temos que fazer. É o certo? Pra mim é retórica. Foi a minha personalidade? É adrenalina, índole, medo, caráter?
Deus?

O que se tinha pra fazer era chamar a ambulância. Se formos presos, se terminarmos na delegacia pelos motivos da internação – tudo parece um grande “foda-se” nessas horas.
Olhei pra ele como nunca tinha olhado. Senti algo tão forte, tão maior que a responsabilidade que sabia que tinha em mãos que não era mais certo/errado. Era uma questão de amor.

E não é por isso que deixo de entender as situações paralisantes da vida. Nada disso.

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Os dias que se seguiram foram de febres intensas e tentativas de escrita.
Se eu atraso no blog eventualmente é por que coisas assim estão acontecendo em dias próximos ao meu – e tenho que resolver.

Pedro Progresso, 15/05/2013