segunda-feira, 13 de maio de 2013

Tema

Não tema.
Não tema.
Não tema.
Era o que lhes diziam. Com toda a certeza que um ponto final pode dar.
E no fundo ele temia.
Temia para ser sincero consigo mesmo.
Não viver em fins de novelas ou amores de Sabrina.
Seja egoísta. Você pode; humano que é.
Seja malicioso, presunçoso; só não, pernicioso.
Duvide das filosofias facebuquianas que descobriram a fórmula da vida, mas ignoram o modus operandi.
Pensava ele: não chicoteie as tristezas para que elas não corram tão rápido e o açoitem lá na frente.
Seja sincero consigo e com seus sentimentos.
Chore suas mágoas. Quando acabar uma lembre-se que outras virão.
Não viva desavisadamente no País das Maravilhas seguindo os pseudo-gurus que pregarão ditatorialmente: Felicidade a todo custo, sempre!
E mesmo sofrendo, pensava ainda: Cuidado! Viva as dores nos limites que elas impõem:

[...]A dor também tem o seu feitiço, e este se vira contra o enfeitiçado. Por isso Alice, depois de ter chorado um lago, pensava: “Agora serei castigada, afogando-me em minhas próprias lágrimas”. Conclusão: a própria dor deve ter a sua medida: é feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira da nossa dor[...]

Só seja sincero consigo mesmo.

Magistralmente, Poe, sem medo de admitir:

Quando anda no corredor ou na sala de aula, quantos de vocês já sentiram o peso da pressão nos ombros? Eu já. Todos? Uau.
Poe escreveu isso há mais de 100 anos. Então, como lemos podemos ver que “A casa de Usher” não é somente um velho castelo em ruínas… É também um estado de ser.
“Durante todo o dia nublado, escuro e silencioso no outono daquele ano, quando as nuvens cruelmente cobrem o céu, eu passava sozinho, à cavalo, por aquele sombrio pedaço de terra daquela província e, enfim, encontrei-me como o orvalho das sombras da tarde, com a visão da melancólica Casa de Usher. Sabia como era. Mas, com o primeiro vislumbre do edifício um senso de insuportável tristeza, invadiu minha alma. Olhei para a paisagem simples do local. Sobre as negras paredes, alguns troncos brancos de árvores podres com uma absoluta depressão da alma. Não houve frieza. Um naufrágio. Uma revolta do coração.

Filme: Desapego (Detachment)