terça-feira, 11 de junho de 2013

O Vinhedo / The Vineyard

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Dizem que beber é bom pra esquecer, mas eu discordo. Eu, hoje, bebi para lembrar.

Beber, não qualquer coisa, mas vinho. Não qualquer vinho, mas o vinho que me lembra você. Desde a escolha até a abertura da garrafa, rotulada como safra de 2011. O ritual de degustação, ler o rótulo e aceitar, já no pequeno gole, ter o poder de aprovar ou reprovar, desde o giro da taça pra ver se as lágrimas são de alegria ou de tristeza e até mesmo o aroma, se é de frutas ou carvalho.

E se não for? Não quero! Precisa harmonizar com meu prato principal. Se não harmoniza, não serve!

E se for um bom vinho? Não interessa! Preciso fazer com que tudo sintonize; os aromas e o que minhas papilas gustativas esperam saborear, e só aquele vinho pode fazê-lo.

E sim, se for esse o vinho, antes mesmo de tocar meus lábios, já materializar-se-a somente pelo perfume você.

Agora tudo faz sentido, bebê-lo realmente me faz lembrar: A garrafa e o nosso toque, a rolha e o nosso olhar, sentir o aroma, assim como sinto o seu, rodeá-lo no copo, assim como rodeio-te por desejo de ter de você, todo seu perfume.

Ah, como é bom! A ansiedade para prová-lo de fato é tão ampla quanto a de te tocá-la. E nesse desejo incandescente de prová-lo, torturando me de propósito para que quando o faça, o sabor seja ainda mais intenso. Faço-lhe cair uma lágrima, assim como a que o vinho deixa na taça. Lágrima essa que expressa tamanha ternura e certa alegria.

Enfim, fecho meus olhos e tomo desta taça o líquido que te traz a mim. Degusto-o assim como degustei-a, como todo meu desejo em chamas e toda minha essência à flor da pele. Não basta sentir, tomá-lo torna-te real.

Por 750 ml, és tu que estás em meus lábios, um beijo e um momento de degustação, outro beijo, esse mais longo permite-me enrolar teu sabor dentro de minha boca, até que desça goela abaixo.

Um suspiro e outro gole e já estou totalmente envolvido em você até acabar e daí por diante, somente a cama vazia pode me abraçar.

E lá se foi você, antes mesmo do vinho, lá se foi você, deixando-me como convite a vontade de tomar-te de novo, em forma de vinho. Não de qualquer vinho, mas o vinho que me busca você.

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People used to say that drinking is good to forget, but I disagree. Today I will drink to remember.

Drink not just any wine, but the wine that reminds me of you. Since the picking up to the opening of the bottle labeled 2011 vintage. The tasting ritual, since reading the label and accepting, feeling the right to approve it or not, since the first sip, since swirling the wine to see if those are tears of joy or sadness, till the aroma, if it is fruity or oak.

And if it’s not the right one? I don’t want! It must harmonize with my main dish. If it doesn´t, it sucks!

And if it was a good wine? Doesn´t matter! Everything must tune like music - the taste and what my taste buds want to savor, and only that one wine can do it.

And if yes, if it was the right wine, before it touch my lips you will materialize just from the aroma of the wine.

Now everything makes sense. Drinking it really reminds me of the bottle and our touch, the cork and our looks. I feel the scent in the glass like I felt yours, swirling the wine like I surround you by the wish to smell it and smell your perfume.

Ah, how good is this! The desire to taste it in fact is as big as desire to touch you. And I’m torturing myself by purpose with this burning wish to taste the wine, till I decide to execute it and make the taste being even more intense. It is a taste that will make a tear fall from your eyes as the tear that wine lets on the glass. Tear that express great tenderness and some happiness also.

In the end I close my eyes and drink from the glass the liquid that brings me you. I taste it as I tasted you and my entire wish burn whole essence in my skin deeply. I don’t just feel it, drinking it turns you so real.

This 750ml is like you on my lips. A kiss and a moment of tasting, another kiss, this one is longer and let me curl your taste inside my mouth until it goes down my throat.

A sigh and another sip and I am already totally into you till the moment it’s over, and since now only an empty bed can hug me.

And there was you, even before the wine, there was you, inviting me to drink you again, like wine. Not any wine, but the wine that brings me you.

Encontre mais no livro Rascunhos Vivos