segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Me erra?

Nos anos 90, me lembro muito bem, eu era o típico adolescente nerd do colégio que sofria bullying por ser baixinho demais, inteligente demais, gay demais e/ou social de menos. Me lembro que, assim como a maioria desse perfil de aluno, eu era romântico e cheio de paixões platônicas. Pretendia achar um grande amor e viver com a mesma pessoa pra sempre. Casar, ter filhos, nossos carros, nossa casa... passar por todos os momentos felizes que um casal passa junto e especialmente pelos momentos tristes.
Eu sempre achei as dificuldades algo a ser valorizado. Algumas pessoas fogem delas e preferem não vivê-las. Quando olho pra trás vejo que minha vida atual é resultado, especialmente, das dificuldades que passei. As felicidades são incríveis, mas nelas eu me acomodo, quero ficar ali pra sempre. As dificuldades me incomodam e me fazem querer mudar, melhorar, sair dali... e crescer. Sempre achei que um casal, pra se firmar como casal, tem que brigar, discutir, passar pelas dificuldades juntos e colecionar algumas cicatrizes em comum.
Hoje em dia eu sou um adulto um pouco diferente do que eu era. E muito maior. Mas os meus desejos e paixões platônicas continuam iguais. Ainda não achei a pessoa que sonho em encontrar desde a adolescência, mas de forma alguma deixei que a frieza da atualidade me corrompesse. As facilidades no ramo da comunicação hoje em dia acabaram por facilitar tanto a comunicação entre as pessoas, que acabou por afastá-las.
Em um mundo em que as pessoas escolhem com quem se relacionar através de telas de computadores e celulares, os defeitos viraram parte eliminatória. "Não gostei da orelha desse", "o cabelo dessa é ruim", "magro demais", "gordo demais"... praticidade demais e sentimento nenhum. Desde quando as características físicas são o que mais importam nas pessoas? E desde quando elas definem a personalidade de alguém?
Eu sei que o mundo evolui e que adaptações devem ser feitas, mas essa praticidade fria não me pegou ainda. E pretendo nunca me render a ela. Eu, que sempre me interessei mais pelos guardas do castelo do que pelo príncipe encantado, sempre me apaixonei pelos defeitos. E as pessoas hoje em dia, em suas vitrines exibidas pelos aplicativos de celular e redes sociais, cada vez os possuem de menos. E eu, que nunca suportei gente perfeita, vou continuando sozinho até achar alguém que, perdido no tempo como eu, ainda possua defeitos.