terça-feira, 13 de agosto de 2013

Sobre o tempo

No dia do dia mais triste eu corri.
A mulher das mentes disse: Caminhe, ande, ande muito; e eu, corri.
Como se fosse vencer as horas, a lógica, a rotação da Terra, a relação do tempo e espaço.
Nem mesmo os pés de Hermes teriam me ajudado nessa tarefa.
Ao sabor do sal, da maresia, do pranto, das buzinas e da fumaça, me aligeirei.
A gosto do desgosto de agosto, ainda corro; 
mesmo sem continuar sabendo como, quando e onde chegar.
Corro, mas alterno corridas, passadas largas e caminhadas. 
Corro e não paro; mesmo quando, estafado, há desejos súbitos para tal.
Apenas desacelero.
O dia do dia mais triste ainda está lá; latente, mas está.
Ainda entristece...com trovões, nuvens negras...três, treze, trinta dias. 
Mas tem ficado mais distante.
Também, de súbito, acho que serei mais rápido.
O que poderia ser mais relativo que esse nosso tempo?