sábado, 19 de abril de 2014

X.I.S.

Ele não sabe quem ele é. Foi criado em um laboratório para ser estudado por um cientista, mas não tem noção de quem ele seja, nunca se viu no espelho, desconhecendo o fato de que seu rosto possui expressões faciais que demonstram sentimentos que ele não sabe o que é e nem explicar. Não sabe o seu nome, não sabe nem mesmo que as pessoas se identificam por um. Ninguém nunca conversou com ele, o que o faz desconhecer o poder da fala. Ele conhece os cinco sentidos embora não saiba o que significam. Antes ele temia o tato. Sabia que quando encostavam nele ele geralmente sentia dor. Hoje em dia a dor virou sua rotina e ele a considera parte de sua existência.
Seus sentimentos são sempre induzidos. Ele já sentiu e deixou de sentir toda prova de experiência sentimental. Com o passar do tempo, ele começa a perceber que sente coisas diferentes pelas duas únicas pessoas que vê. O médico que sempre se aproxima para tocá-lo, lhe causa raiva e medo por provocar nele dores com suas picadas e cortes frequentes. Já a nutricionista sempre lhe causa alegria e alívio por vir finalmente alimentá-lo. Ele começa a desejar aos poucos a companhia dela e querer acompanhá-la quando ela o deixa, mas embora a porta nunca esteja trancada, o medo de tudo que é desconhecido fora dali o segura sempre do lado de dentro.