sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A melhor mentira do mundo


Hoje, 12 de dezembro, é o dia da Virgem de Guadalupe, a padroeira das Américas.
Sempre gostei da imagem dela, da história, dos rituais, mas resisti bravamente durante um tempo porque me diziam que a Virgem tinha sido invenção dos espanhóis. Desesperados para escravizar os rebeldes índios insistiam na catequização e resolveram  ''criar'' uma história onde a Virgem Maria aparece para um índio, Juan Diego. Dizem que tudo foi tão calculado que a suposta ''aparição'' aconteceu no mesmo lugar onde os índios celebravam uma de suas deusas.

Mas talvez pela devoção que milhões de pessoas têm por ela, a energia que circula em sua Basílica, a Virgem de Guadalupe parece real, daquelas santas que funcionam mesmo.

Nos últimos anos aposentei a história dos espanhóis, não me importo mais se foi um mito criado ou não, cheguei à conclusão que estou cercada de mitos montados, histórias mentirosas e informações ocultas. As indústrias mentem e colocam o que querem  em nossa casa, mesa e vida. Compro alimentos e dizem que são orgânicos, mas não posso provar isso. Me falam sobre vacinas importantes, mas não posso garantir sua eficácia. O governo jura que protege meus interesses como cidadã, mas nunca vi nada.

Aprendi a gostar da Virgem de Guadalupe, pode ser mentira, mas todos mentem, governo, indústrias e até amores, qual o problema então de acreditar no que me parece mais bonito? Gosto de tudo na Virgem, principalmente naquela história que ela protege imigrantes, é só rezar e pedir que ela cubra com seu manto e a pessoa chega viva ao seu destino.

Na sua Basílica, na Cidade do México, tem uma placa que diz  ''Por acaso não sou tua mãe?''. É a lembrança da mãe que não abandona o filho, sempre o protege.

Pode ser mentira, mas é reconfortante. Em um mundo tão sinistro, cheio de curvas e momentos perigosos, a Virgem de Guadalupe é uma energia boa que aquece a alma. Talvez a melhor mentira do mundo.