segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

do mestrado, da dispersão, de 2014, de

muitxs amigx reclamando de 2014 e pedindo pra ele acabar pelamordedeus e não entendo o porquê. talvez porque seja mesmo mais fácil reclamar de tudo. é divertido ser reclamão e diria que é até cool. pagar de mal humaorado no feice é super nice. no fundo, pra alguns, o ano foi ate bom, mas é tão mais legal fazer a maísa e mostrar que o mundo caiu do que reconhecer o que veio de bom.

aliás, sério, o ano tem culpa? 

claro, entendo que tem épocas em que tudo dá errado ao mesmo tempo, mesmo que tentemos o contrário. são as chamadas adversidades e elas estão aí pra todo mundo e mesmo sendo clichê, acredito que o lance é como lidados com elas.

enfim, se há sempre alguém para culpar e esse alguém tem sido o pobre coitado 2014, preciso agradecer por agir ao contrário comigo. 

na verdade 2014 foi um fofo. 

nem vou listar todas as coisas incríveis que aconteceram no decorrer dele, mas um ano que começa em florianópolis, com amigos queridos, não tem como ser ruim. depois teve - finalmente - a defesa do mestrado, uma tonelada e meia de peso deixada pra trás. 

o fim do mestrado pra mim teve um significado maior do que terminar um ciclo acadêmico. foi também o começo de uma nova história. até agora o título não mudou minha vida em nada, mas ele sempre foi uma desculpa para uma série de atrasos em minha vida. tudo era culpa dele. se eu não viajava, era por conta dele, se eu não mudava de cidade, era porque estudava, se eu não saía, era porque precisava escrever, se não mudava de emprego era porque me dava segurança caso o mestrado não desse certo.

(ex)terminá-lo foi um como me curar de uma doença fatal. depois dele, as coisas ficaram mais leves.

na verdade mesmo, eu nem deixei de fazer nada que fazia, mas fazia com uma certa culpa, julgando a mim mesmo como se estivesse perdendo tempo em vez de estudar. 

e no fim tudo valeu a pena. 

a defesa não leva esse nome à toa. em vários momentos me senti acusado de algo que não sabia o que era. via na banca uma ar de superioridade indescritível e quase cheguei a falar "beleza gente, é isso mesmo que vocês estão falando, eu estou errado, mas preciso ir trabalhar, bjs". 

nem precisou, pois no decorrer do tempo percebi que aquilo tudo era pose. obviamente a experiência fazia de todos ali mais competentes que eu, mas pra que serve um mestrado se eu não pudesse ao menos falar o que pensava sobre o assunto e, mais sério ainda, provar por meio de meus estudos que eu estava "certo" nas minhas argumentações.

passada primeira hora eu já estava tranquilo e achando tudo aquilo um grande jogo. eu tinha todas as cartas pra ganhar. sim, eu tinha certeza que, apesar de achar o trabalho inútil, eu tinha condições de acrescentar algo no mundo por meio daquele pequeno texto. 

e ganhei.

eu não entendo ainda porque a academia é tão careta e precisa manter uma fama de durona, quando as coisas são bem mais simples. 

fiquei feliz ao ouvir de uma das professoras que o trabalho a incomodou tanto que ela pensou em rasgar e jogar no lixo, não por falta de qualidade, mas pela confusão que o texto se tornou. 

e o texto nada mais é do que uma reflexão minha sobre literatura contemporânea. reflexão também no sentido de reflexo do meu pensamento que é disperso e confuso, mas que disse algo ali naquelas pouquíssimas páginas (60 pra ser mais exato, o que foi um ponto negativo e positivo).

enfim... tudo isso pra dizer que o grande marco na minha vida nos últimos 4 anos sem dúvida alguma foi o fim do mestrado. claro que o processo todo, desde a aprovação foi decisivo, mas o fim foi um grande começo.

e como adoro uma boa confusão, que venha 2015 com o doutorado.

mas por favor, 2015, seja tão fofo como seu antecessor.

bjs.