terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sobre o sertão, ou os sertões


Sugestão: ler ouvindo "Um violeiro toca", de Almir Sater e Renato Teixeira


O sertão, no meu imaginário, uma pessoa que nasceu e viveu na região sudeste do Brasil, é seco, triste, árido, quente, distante, amargo.

O sertão que conheci é mais ou menos assim, mas de um jeito diferente:


A seca e a aridez dividem espaço de uma forma ao mesmo tempo contrastante e harmoniosa com as águas do Velho Chico, que encheram meus olhos com uma beleza tocante, e meu coração de uma felicidade sem tamanho. Banhar-me em suas águas foi a realização de um sonho, renovou minhas energias, refrescou meu corpo e acalmou minha alma.

A tristeza, que vem da fome e da morte, se escondeu. Acabei por encontrar um povo alegre por saber da sorte que possuem em viver ali.

O sertão que conheci é quente... muito quente! O calor é intenso, seja do clima, que atinge facilmente os 30 graus no meio da noite, seja na receptividade das pessoas, muito gentis e generosas. Não apenas as que são de lá, mas também as que são de outros lugares e a vida as levou a ficarem lá. Não é tão difícil querer ficar.

A distancia é relativa... longe de umas coisas, mas próximo de outras... E é bom se afastar de vez em quando da nossa zona de conforto. Viagens nos proporcionam isto: ao viajar entramos em um estado mais aberto a novas experiências, a conhecer novas pessoas, novos sabores e sensações... e só temos a ganhar com isso. Sei que valeu a pena cada uma das 22 horas de viagem.

O amargor? Esse não vi por lá, não. O sertão foi bem doce comigo... me proporcionou momentos incríveis, amigos queridos, lembranças lindas e convites para voltar, e para ir além.