quinta-feira, 9 de abril de 2015

Sobre o tédio


Cazuza preferia Toddy ao tédio*. Eu concordaria, não fosse minha intolerância à lactose. Assim, prefiro o tédio à emoção de acompanhar as reações hostis do meu corpo contra a bebida tão simpática e aparentemente inofensiva.
O fato é que o tédio lembra aquele vizinho chato, que vira e mexe te faz uma visita e você faz de tudo pra se livrar dele, mas não é uma tarefa muito fácil. Ele não vai embora por vontade própria, exige um certo esforço.
Geralmente vem acompanhado da preguiça, da chatice e da falta de inspiração.
Mas não serei injusta com o tédio, até mesmo ele tem um lado bom. Por incomodar, nos obriga a mudar, a pensar fora da caixa.
O tédio pode até tomar seu corpo e sua mente por algum tempo, mas, assim como o vizinho chato, alguma hora ele vai ter que ir embora, ele obriga você a ser criativo, a pensar em como fará para se livrar dele, e quando isso ocorre, pode ficar até melhor do que era antes dele aparecer!
Então, na próxima vez que o tédio entrar sem bater e nem pedir licença em sua casa, não tente enxotá-lo. Seja legal com ele, ofereça um café, troque uma ideia, quem sabe você pode sugerir algo para ele fazer longe de você, ou para você fazer longe dele, e enfim dar lugar ao conhecido ócio criativo? Porque até o vizinho chato pode salvar nosso dia emprestando uma xícara de açúcar.

*A frase é originalmente da escritora Ledusha Spinardi.


Tédio- Bíquini Cavadão