sexta-feira, 5 de junho de 2015

O coração é como uma conta bancária.

No primeiro contato, é gerada uma senha. Pode ser um olhar, o encontro de mãos. A digital pode ser substituída pela contemplação das sobrinhas dos dedos, as unhas roídas. Depois, depositamos algumas palavras e sorrisos. Aí, já é possível uma fidelização. Cliente gold. E já dá direito a carícias, caretas, piadas. Alguns investimentos: um chopp, um abraço suspenso no ponto de ônibus, um beijo molhado no piercing, uma lambida na orelha. É quando as movimentações se intensificam e já queremos fazer saques diários, gastar milhas do catão de crédito: bater pernas pela cidade sem destino. 

Extrato: um <3 bilhete="" cheio="" div="" e="" m="" na="" nbsp="" o.="" um="">

(Cleyton Cabral)